quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Anticristo e Lars Von Trier: "eu sou o melhor do mundo".



 Von Trier declara: 'sou o melhor diretor do mundo'

Paulo Biagio*



A entrevista coletiva com o diretor dinamarquês Lars Von Trier, na manhã desta segunda-feira (18), em Cannes foi marcada por provocações entre alguns jornalistas e o cineasta. Na noite anterior, o diretor de "Dogville" causou polêmica ao exibir pela primeira vez seu novo filme, o terror "Antichrist". Aplaudido por uns e vaiado por outros, o longa traz cenas de sexo explícito e mutilação genital.


O senhor faça o favor de explicar por que fez esse filme?, disparou um jornalista logo na primeira pergunta. "Não tenho de me justificar. Não preciso me desculpar por nada. Vocês são os meus convidados, não o contrário. Eu trabalho para mim mesmo, não fiz esse filme para você ou para o público", rebateu, visivelmente nervoso, o dinamarquês.


Von Trier já havia afirmado anteriormente que 'Antichrist' foi realizado como uma espécie de terapia para se livrar de um processo depressivo recente - ainda que a atmosfera perturbadora do longa, estrelado por Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe esteja longe de ser algo "tranquilizante". "É mais a rotina de fazer um filme que funciona como terapia. Acordar todo dia e ir trabalhar. Isso me ajudou com a depressão", explicou.


Ainda insatisfeitos com as respostas de Von Trier, os jornalistas insistiram em saber o porquê de "Antichrist" ter sido realizado. "Nunca tive escolha, é a mão de Deus", ironizou o diretor, que é ateu, mas revelou sua devoção pelo cineasta russo Andrei Tarkovsky, em uma dedicatória ao final do filme. "Tarkovsky é o verdadeiro Deus. Quando vi seu filme pela primeira vez em um pequeno televisor, fiquei em êxtase. Para mim, se formos falar de religiao, essa é uma relacão religiosa", defendeu.
 

Como se não bastasse, Von Trier deixou a falsa modéstia do lado e, enfim, deu a sua resposta para o por que de ter filmado "Antichrist". "Fiz porque eu sou o melhor diretor de filmes do mundo", cravou. "Tenho certeza de que outros diretores também pensam assim. Nao estou certo de que sou, eu apenas sinto que sou, oK?"


Alguns jornalistas aplaudiram, outros continuaram irriquietos em suas cadeiras e o diretor, conhecido pelas polêmicas, concluiu satisfeito. "Não me preocupo com as críticas ou como o filme vai se sair ao redor do mundo. Já recebi críticas negativas antes, e gosto. É um bom começo de discussão."


* Fonte: G1 - maio de 2009- (não cita o jornalista q. escreveu a matéria).

13 Comentários

Pedro disse...

Pessoal,
O filme estréia na próxima sexta-feira em Goiânia.
Esse Lars é muito doido. Tá com depressão mas se acha o melhor do mundo?

Raisa disse...

Pedro, ele não está mais com depressão. Fazer o filme foi um processo de cura pessoal. Ele sofreu muito fazendo o filme. Ele mesmo confessa que "Anticristo" não é seu melhor filme. E quanto a ele se achar o melhor diretor do mundo, talvez você não tenha entendido direito... Ele disse que, para ele mesmo, na cabeça dele, ele é o melhor do mundo, e que todos os outros diretores também pensam que são melhores que os outros. Ele sabe que é prepotência da parte dele achar isso, mas é uma prepotência normal, uma segurança excessiva no trabalho que ele faz. Para ele, o argumento dos filmes que ele faz é sempre perfeito. Se não fosse, não valeria a pena gravar, não é? Leia a entrevista que o diretor deu à revista Bravo! e entenderá melhor:
http://bravonline.abril.com.br/conteudo/cinema/terror-filmar-489094.shtml

Pedro disse...

Raisa
lia Bravo sobre Lars Von Trier. É gozado, o cara curou a depressão fazendo um filme? Acho que ele é muito narcisista e veio com esse papo para desculpar o filme ruim que fez. Eu gosto dos filmes dele e não gosto de ouvir e ler entrevistas de atores e diretores. "Dogville" é bom demais e os outros filmes dele. Ele mesmo é um porre de pinga mineira de qualidade duvidosa.

Raisa disse...

Um narcisista jamais assumiria que fez um trabalho ruim, mesmo usando de desculpas. Um narcisista diria que o público é que foi burro e não entendeu o filme. Não acho que ele seja narcisista. Um pouco prepotente, metido, talvez. Mas não narcisista, muito menos de qualidade duvidosa.

Thomas Silva disse...

Excentricidade, doidice ... é pré-requisito para ser cineasta, escritor ...
Ou o artista é mais despreendido em viver e assim as "doidices" se mostram melhor?
"'Sou louco mas não sou o único'"-JL
E o filme? este eu quero ver Mesmo!
A propaganda é alma do negócio como vovó já dizia.
Deve de ter alguma coisa do Anticristo de Nietzsche!?

Guilherme Gonçalves disse...

O filme é fantástico. Não, não tem tanta coisa do "Anticristo" de Nietzche. Até tem Nietzche, mas da obra "Genealogia da Moral"

Jefferson Iuri disse...

Depois de ver Bastardos, estou em êxtase com o cinema. Que venha O Anticristo!

Anônimo disse...

Viva a sexaria.

Anônimo disse...

Então tá. Ele faz um filme quase pornô - nem me venham dizer que era necessária a explicitude do sexo - para se curar da depressão e é gênio? Dá pra duvidar é da inteligência de quem caiu nesse golpe publicitário para pagar a terapia do doidivanas...

Polly disse...

Depois de ver Bastardos, estou em êxtase com o cinema. Que venha O Anticristo! (2)

Thomas Silva disse...

Há tempos passo e compasso tépido com a sétima arte.
Bastardos Inglórios trouxe-me o prazer da grande sala como nunca antes havia experimentado.

[pausa] respiração;

Aí vejo Anticristo!

Sério.

Do garai!
A natureza é rude, a humana também; claro.

Em comum com Bastardos Anticristo tem a meia hora inicial mais que genial.

Anticristo é provocador reflexivo vai fundo no tema.
Lars Trier conseguiu transportar para tela uma visão literária do medo e da culpa.
Nietzche. Do começo ao fim. Minto. Possivelmente antes do começo e depois do fim.
Brilhante.

E nem cogito falar em pornografia; o que alguns fanfarrões da informação de capacidade mental duvidosa já rogam.

Anônimo disse...

Se alguém quiser folhear o livro antes de compra-lo: http://www.4shared.com/file/10221243/ec055735/Friedrich_Nietzsche_-_O_Anticristo.html

Fabrício C. Santos disse...

No geral, gostei. O prólogo é maravilhoso, e aquilo ali é um fazer amor dos mais profundos, inclusive literalmente.

Mas aí terminei meio decepcionado, pois me parece, a princípio, um simples caso de "do sexo vem a morte e a culpa, pelo sexo serão punidos", um pensamento liderado pela personagem da mãe. E é tudo uma filhadaputagem feminina, mas que chega a ser dúbia, como o próprio Dafoe (deslocado que dói) insinua quando questiona as interpretações dela sobre a própria tese: o mal contra a mulher ou o mal através da mulher?

Um dia depois, pensando mais um pouco, me pareceu ser uma espécie de comentário bem cínico (isso é a cara do Lars) e agressivamente zoador sobre como a sociedade, em sua história (sexista), tomou os escritos bíblicos. Que desde o Éden a culpa recai sobre a mulher (e sua natureza), e supostamente as merdas acontecem porque o homem seria tentado pela mulher etc. Nesse sentido, vi aqueles bichos como umas versões zôo-satânicas dos Reis Magos - a raposa falante das trevas faz par com a cabra das trevas de "Arraste-me Para o Inferno", em que há capetices mais fanfarrônicas.

Enfim, é como uma Bíblia do avesso ("ANTIcristo"), no sentido mais feio e impressionante. E isso é mais bom do que ruim, creio.

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