domingo, 25 de outubro de 2009

Diálogos sobre o "Anticristo" de Lars Von Trier (em cartaz)




Diálogos sobre o “Anticristo” de Lars Von Trier



Lisandro Nogueira e Rodrigo Cássio*


A “cabine” é uma sessão de cinema antecipada para que os jornalistas, críticos de cinema e convidados possam ver o filme antes da estréia. Fomos ver o filme na sexta-feira, 9h da manhã, no Cine Lumière. Na sessão, tivemos a idéia de realizar um diálogo e publicar nos nossos blogs (vistoseescritos.wordpress.com). Vamos ao debate:

Lisandro Nogueira: O que gostei mais no filme "Anticristo" de Lars Von Trier, foi a possibilidade de ver um bom cinema. Gosto de um "bom cinema": aquele que provoca, dá prazer estético, independente do tema ou conteúdo, e que me faz sair bem do cinema. Apesar do "terror" tão propalado, saí muito bem do cinema. Como vimos o filme juntos, às nove da manhã, na sessão cabine, observei que você também gostou do filme.

Rodrigo Cássio: Também gostei do filme. O que me chamou especialmente a atenção quando assistimos, e confirmei quando assisti pela segunda vez, à noite, foi a habilidade do Lars Von Trier em se apropriar de convenções como a do drama e do cinema de horror, levando adiante um preceito comum ao movimento Dogma 95, que foi, de fato, uma atualização do cinema narrativo clássico (a meu ver, a mais interessante alternativa contemporânea, nesse sentido). Por isso, o prazer de um "bom cinema" está ali: tanto pelas sensações que ele instiga no espectador, quanto em virtude de um deleite visual: Von Trier sabe como poucos conciliar a presença da câmera, na cena, e a direção dos atores. Você notou que a câmera está sempre "presente", construindo o sentido?


LN: Sim. Recordo-me da velha questão cinema clássico e cinema de arte: o primeiro nos coloca dentro da cena e fica difícil escapar e não se envolver; o segundo, propositadamente, nos afasta, nos coloca fora. Mas isso é uma generalização, pois depende muito do estilo do cineasta e até do contexto. O que fica claro é que Von Trier conecta sua câmera com o sentimento dos personagens, faz closes, acompanha o sofrimento; porém, nada leva ao sentimentalismo ou ao terror - como foi meu caso. Vejo beleza nas imagens e vejo uma "humildade" lancinante do Trier, diante da representação do sofrimento e da dor.



RC: Lembro de dois momentos que podem ilustrar o fato de que as opções de um cineasta (isso a que podemos chamar "estilo") são determinantes para um bom filme. Mesmo quando diante de intenções já extremamente codificadas pelo cinema hegemônico (como levar o espectador a sentir compaixão, expectativa ou medo), o Von Trier tem o cuidado de inserir "nuances" na encenação e nas personagens, evitando que elas fiquem opacas ou unidimensionais. Na primeira parte do filme, quando travam um duro diálogo na cama, o casal fecha a cena com um beijo (o que seria contraditório, em princípio). Já no final, no momento exato em que o marido consegue se desprender do objeto que estava limitando seus movimentos, há um corte para a esposa, em primeiro plano. A expressão da atriz, nesse quadro, contraria tudo o que poderíamos esperar da cena (a nossa expectativa), sendo ela um desfecho da ação libertadora do marido. Há uma inusitada ternura no olhar daquela mulher: a complexidade psicológica da personagem é refletida no âmbito da aparência, isto é, no âmbito da imagem (e cinema é imagem, não pode prescindir delas).




LN: Então concordamos que estamos diante de um "cinema autoral": estilo próprio e visão de mundo (tema e conteúdo) singular. Outra cena que me chamou atenção e que revela o "estilo próprio": a queda da criança. Quantas vezes lemos e ouvimos nos livros e nas aulas de cinema que a "câmera lenta" deve ser usada com parcimônia? Ela já se tornou óbvia e saturada. Mas no filme ela ganha vida, instante que permanece. E mais: música e câmera lenta em filmes de estrutura clássica são sinônimos de sentimentalismo ou de exaltação de cenas de ação. Em "Anticristo" é o contrário: música e câmera ensejam beleza e modos de sofrer. E nos ensinam a compartilhar tanto sofrimento sem apiedarmos de nós mesmos. Mas isso só é possível porque não há carga nos sentimentos, e tudo passa longe do melodrama.



RC: Se "autoria" é a extrapolação dos limites do cinema industrial, temos um "autor", sem dúvida. E isso do interior deste mesmo cinema, de algumas das suas características mais gerais. Você menciona o melodrama, que está ausente em "Anticristo". Podemos partir desse dado para analisar não somente o lugar do filme no cenário atual, como do Dogma 95. Sabemos que o melodrama é um gênero profundamente ligado ao cristianismo. O Dogma 95 também, a seu modo: vide o manifesto "Voto de Castidade" e o forte caráter moral dos seus "dez mandamentos". Em "Anticristo", Von Trier opera com uma simbologia cristã que, por um lado, dispensa as facilitações do melodrama, mas, por outro, não se define incisivamente como um cinema de ruptura, aproveitando a estrutura do suspense e do horror como um "manancial" para a expressão do estilo. Há uma ambiguidade latente: estamos diante de uma narrativa mitológica que discursa sobre a natureza humana, admitindo a metafísica cristã como a sua raiz, mas rejeitando certos vícios formais pelos quais essa metafísica tenta se sustentar ainda agora (o mercado é um fator de corrupção do discurso, e é abandonado - o melodrama tem que ceder). "Anticristo" é uma espécie de "Adão e Eva" moderno, no qual a mulher que deflagrou o bem e o mal, a partir do seu gesto pecaminoso, deve ser "curada"; não mais pela religião, mas pela terapia, valendo inclusive a piada com o prematuro "envelhecimento" da psicanálise como uma prática de constituição dos sujeitos. Não é de estranhar que o tratamento da mulher em "Anticristo" tenha provocado reações contrárias desde Cannes.



LN: Eu aprecio o cineasta não utilizar as ferramentas de um "cinema de ruptura" (cinema de arte), como no caso de "Anticristo". Penso que cineastas que se utilizam da estrutura clássica de narrar, sem se fixar no melodrama, conseguem ao mesmo tempo a comunicação com o público, tão importante, e trabalhar as imagens de forma não convencional. Sobre o feminino, a principal teórica do feminismo no cinema, Laura Mulvey, escreveu dois textos fundamentais* nos quais aponta a importância da psicanálise para entender o "olhar masculino" do cinema hollywoodiano, assim como o sentido de libertação para a mulher nos filmes de arte. Mulvey rejeitaria completamente esse filme. Ele, o filme, questiona os limites da psicanálise, mostra a importância do homem nas relações com a mulher (há uma queda da função paterna no mundo moderno) e para o equilibrio das relações sociais e familiares. Certamente é um filme que pode nos aprisionar no extra-filme [o filme é utilizado somente como ilustração para debater e discutir teorias de várias áreas do conhecimento; evita-se "entrar no filme", ou seja, interpretar e descrever e analisar a imagem, a narrativa e os componentes cinematográficos]. Ou seja, ficaríamos discutindo teorias (inclusive cinematográficas) sem "entrar" propriamente no filme. Comentamos que os psicanalistas vão nadar de braçada e realizarão aquelas explanações, sempre interessantes, mas quase sempre distantes do filme em si.


RC: Seria pouco frutífero se o debate sobre “Anticristo” se realizasse unicamente com o foco no extra-fílmico. Concordo que há esse risco, pois o filme toca em temas duros e potencialmente polêmicos: a culpa, o sexo, a violência. Pulsão de vida e pulsão de morte conduzem a narrativa. No entanto, não vejo o filme, em si mesmo, como polêmico. Von Trier é sincero, e busca as imagens capazes de produzir sensações e ideias que o espectador é levado a esconder de si mesmo, quando absorto pela felicidade impassível do cinema industrial. Somente um cinema mais ousado poderia deferir esse conteúdo à consciência, trabalhando diretamente com um imaginário oriundo dos próprios gêneros industriais (as cenas de tortura do cinema de horror, por exemplo). Nesse sentido, “Anticristo” é um filme muito realista: ele quer levar o homem ao reencontro com uma possível natureza. Nele, as imagens existem para isso.


• Lisandro Nogueira é prof. de cinema na Facomb-UFG e Rodrigo Cássio é formado em jornalismo e filosofia e mestrando em cinema na FAcomb-UFG.

* Os dois textos de Laura Mulvey são: Prazer Visual e Cinema Narrativo (In: XAVIER, Ismail. A Experiência do Cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1983) e Reflexões sobre “Prazer Visual e Cinema Narrativo” (In: RAMOS, Fernão. Teoria Contemporânea do Cinema. São Paulo: Senac, 2005, volume 1).

35 Comentários

Thomas Silva disse...

Gostei da 'cabine'!
Assisti o filme as 15h do mesmo dia, não sei se assistir 9 ou 15 faz diferença.
Prof. e mestrando forma rápidos na avaliação! Corajosos.
Numa coisa concordo; um belo filme.

Alfredo disse...

Bom diálogo e esclareu muita coisa. Faltou, todavia, se me permitem, falar sobre o conteúdo do filme.

O filme invoca os mandamentos da bíblia e pode ser visto como uma volta e valorização do ideário cristão.

José Martins Fonseca disse...

Minha área é outra, não é ligada ao cinema. Mas gosto do assunto.
Gosto muito das falas do prof Lisandro Nogueira as sextas no JA.
Não vi terror, suspense, melodrama passa longe deste filme, etc etc ...
Do "bom cinema" alguns gostam outros não, óbvio.
Também gostei do filme.
Sem dúvida que o "voto de castidade" do Dogma 95 está presente.
Realmente, as opções de um cineasta são determinantes para um bom filme e cinema é imagem, não pode prescindir delas.
Concordamos que estamos diante de um "cinema autoral".
Adorei o "Adão e Eva moderno", acho que o filme está distante de uma reflexão do bem e do mal.
Se Mulvey rejeitaria esse filme não sei.
Pouco frutífero o debate sobre Anticristo unicamente com o foco no extra-fílmico, unicamente quase sempre não é uma boa opção.
Não vi no filme "trabalho" oriundo de "gêneros industriais".

Acho que existe uma ou mais mensagens neste filme.
Uma delas é a crítica ao cristianismo.

Prazer poder lê-los.
Cordialmente,
José Martins Fonseca

Anônimo disse...

O caos reina.

Valéria Borges disse...

Prezados do blog, esse filme é uma construção ficcional contra a mulher. O filme é misógino e machista. Não respeita os avanços do feminismo e das relações modernas entre homens e mulheres.

O diálogo é bom entre o mestre e o discípulo, mas os dois parecem concordar com o machismo do filme, apesar de falarem pouco do enredo.

Victor Hugo Lisboa disse...

Comentário feito:
Ô Milton! Sabe que eu não esperava nada desse filme? Só baixei uma cópia da internet pois fiquei curioso com a repercussão em Cannes. Como o trabalho de Lars tem seus altos (Festa de Família) e baixos (Dançando do Escuro), assisti Anticristo no meu notebook, sem grandes expectativas, temendo que nem valesse o ingresso do cinema.

E o que eu achei?

Cara, é uma Obra de Arte Fodástica, com “O”, “A” e “F” maiúsculos.

Quando, finalmente, estreou nos cinemas de Porto Alegre, decidi assistir Anticristo pela segunda vez. Toda aquela perfeição estética exigia o integral mergulho propiciado por uma sala escura e a telona. Ah, e eu também queria ver a cara do público no final.

Como toda Obra de Arte Fodástica, claro que Anticristo é suscetível à vários níveis de interpretação. Porém, minha opinião subjetivíssima é de que o filme consiste em uma alegoria tarkovskiana com fortes tons psicanalíticos (eu, pobre diabo, rejeitei e ridicularizei a psicanálise durante anos, mas hoje reconheço que era puro preconceito e ignorância da minha parte - coisa de guri, em suma; só depois de “velho” abandonei minha arrogância juvenil e reconheci o quanto há de verdade nas lições de Lacan e Freud).

Seguem, abaixo, anotações que fiz no dia seguinte à primeira vez que assisti ao Anticristo. São registros fragmentados e despretensiosos. Não recomendo que sejam lidos por quem ainda não viu o filme, e previno que não estou afirmando ser essa a única interpretação da obra de Lars. Mas, se não é a interpretação definitiva, ao menos é “beno trovato”.

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O filme foi acusado de ser misógino e contrário ao mundo natural, pois Lars teria afirmado, através de sua obra, que a mulher e a natureza são a fonte de todo o mal. É uma interpretação apressada. Na verdade, o filme é a alegoria de um homem que foi forçado a abandonar uma visão infantil, ingênua, da vida. Sua perspectiva idílica e idealizada do mundo e da mulher não mais se sustentou, mas ele ainda era incapaz de atingir a perfeita maturidade de aceitar as coisas tal como são, de modo que, em reação instintiva, fez um movimento pendular e agarrou-se a uma outra visão, também infantil e ingênua, da natureza e da feminilidade: a visão que as pinta com tintas negras, demoníacas - como a fonte de todo mal, em suma. Não é algo incomum. Basta lembrar que até hoje algumas tradições fundamentalistas ainda tratam a mulher e o mundo natural como espúrios. E mesmo nós, ocidentais, durante toda a Idade Média, associamos a natureza e a mulher ao demônio.

Um detalhe que quase ninguém reparou é que, quando o casal está trepando no banheiro, logo no início do filme, acabam por derrubar um livro infantil, onde há a figura de três animaisinhos em uma floresta retratada de modo ingênuo. Esses três animais, posteriormente, retornarão como verdadeiras criaturas diabólicas, terríveis, que sentenciam o caráter caótico da vida e denunciam o homem à mulher enfurecida. Por outro lado um desses animais “diabólicos” acaba por libertar esse mesmo homem mais tarde, revelando-lhe a chave inglesa escondida pela mulher, em retribuição pelo fato de o homem ter quebrado o piso da cabana, deixando que ele entre. Na última parte de Anticristo, o homem e os três animais olham-se como iguais, sem ressentimento, medo ou ódio.

É justo disso que fala o filme de Lars: do processo no qual o homem acabou de sair da visão idealizada da natureza do mundo, reagiu ao trauma considerando a vida natural como algo diabólico, e superou essa mesma reação imatura, por meio de um processo no qual teve de eliminar aquela imagem “adoecida”, incinerando-a.

Victor Hugo Lisboa disse...

O filme também não é misógino, pela simples razão de que ele não aborda, em nenhum momento, a situação da verdadeira mulher: a mulher ali representada é a mulher interna do homem, a mulher psicológica, imaginária. A esposa assume integralmente seu papel de arquétipo quando afirma que as mulheres foram perseguidas e oprimidas pelos homens durante séculos porque realmente eram malignas: nesse momento é o complexo psicológico do próprio homem que lhe fala.

Sob esse ponto de vista, a obra de Lars é justo o contrário daquilo de que é acusada. Anticristo descreve a confusão masculina entre essa figura arquetípica e a mulher real que causa o “ginocídio” histórico, evidenciando o aspecto psicológico que há por trás das castrações de meninas no Egito e das milhares de bruxas queimadas pela Santa Inquisição. Enquanto um homem não souber distinguir entre as mulheres reais e as personagens que fantasmagorizam sua mente, jamais terá um relacionamento saudável até mesmo consigo próprio. No filme processo de superação dessa imagem psíquica já começa quando o próprio complexo maternal castra a si mesmo.

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O filho e o marido são a mesma pessoa: um complexo criança-homem. O filho observa a cópula do casal: descobre que a mãe não lhe pertence, que sua mãe o “trai” com o pai. Isso é um tema recorrente na psicanálise e, com certeza, Lars não estava alheio a esse tema, principalmente tendo em vista a profissão escolhida para seu personagem. Por isso, o menino morre: a ilusão da infância acabou, a sexualidade “promíscua” daquela mãe que considerava só sua introduz em seu mundo uma realidade complexa e dúbia, que mata a infância. Há um verdadeiro suicídio após testemunhar a relação sexual dos pais. A partir daí, há um homem que se refugia na estrita racionalidade, tentando lidar com o “problema” que é a mulher (ainda é um problema para ele, pois a figura materna ambivalente, opressora e sedutora, ainda não foi trabalhada) de forma fria e distanciada, com diagramas e palavras de ordem. Porém, logo afoga-se no seu ódio e medo da figura feminina, sentimentos decorrentes da ambivalência do desejo.

Observe-se que, após a morte do filho, é sempre a mulher que procura o sexo, de uma forma brusca, agressiva e, porque não dizer, “ativa”: novamente se percebe que se trata de uma mulher “masculinizada” em sua agressividade sexual – o complexo mal resolvido da mãe promíscua. A cópula é associada à morte.

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A mulher revela sua dificuldade de aceitar que os homens de sua vida se afastem, como quando coloca os sapatos nos pés trocados do filho e prende um peso à perna do marido. Quando o marido se arrasta para longe da cabana com o pênis ferido e a perna perfurada, a fim de proteger-se de mais torturas e morte, o discurso da mulher é o de vítima, de alguém que foi abandonada injustamente pelo seu homem. Por instinto, até hoje muitas mulheres sabem que esse discurso do “Bastard, where are you?” toca em alguns nervos psíquicos de todo homem, e utilizam-no. Como resposta, muitos homens secretamente desejariam colocar na fogueira quem assim atua.

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Quando o homem tem, em meio à dor e à loucura circundante, um lampejo de objetividade e racionalidade, e observa que a constelação dos Três Mendigos não existe realmente, ele estabelece o limite claro entre o real e o imaginário: é o marco entre o estado de criança e o estado de adulto. Não é por outro motivo que, logo após essa percepção, seguida do grito da mulher, surge o pássaro de baixo da casa, revelando-lhe o exato lugar onde está a “chave” para libertar-se do peso em sua perna.

Victor Hugo Lisboa disse...

O homem entra no buraco, a mulher o enterra. Para que o homem escape do pesadelo em que lida com o complexo maternal, deve ir a fundo no horror: deve deixar-se matar, sufocar-se no útero da Terra, para que assim morram os resíduos da psicologia infantil que há nele. A fuga nunca é a solução. Em qualquer doutrina franca sobre a condição humana, de Lacan a Pema Chodron, a solução é sempre aceitar o medo e abraçar o horror sem julgamento.

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Os três mendigos não existem, de fato, como constelação, mas existem na Poesia: “the three beggars” é um poema de William Butler Yeats. Os três mendigos, aliás, já estão presente no início do filme, na forma de três estatuetas sobre a mesa que a criança usa para “suicidar-se” após ver a trepada dos pais.

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Na cena em que a mulher descobre que está ouvindo o choro de toda a Criação, e não da criança, ela tem a súbita percepção de que há algo de profundamente errado naquele universo. O horror passa a ser reconhecido. Enquanto escuta o choro universal, a mulher contempla seu filho segurando um pedaço de madeira junto aos instrumentos de carpintaria de seu pai (fato digno de nota: alusão ao menino Jesus?). Mais tarde, seria também com o mesmo pedaço de madeira que a mulher infligiria ao homem sua ferida genital.

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O horror representado pelos três mendigos (dor, depressão e desespero), o choro universal da natureza e as feridas na perna e nos testículos não podem ser evitadas: a “ferida narcísica” (alô Freud) deve ser vivenciada e aceita como tal. A cura está em compreende-los e aceitá-los sem reações de rejeição ou cegueira idílica. Tecnicamente, o discurso psicanalítico do homem no início do filme está absolutamente certo: o equívoco do espectador é achar que ele fala com a mulher, quando aquilo tudo diz respeito a ele próprio e a um processo que irá vivenciar em breve. Trata-se de um processo de superação da criança, com a difícil passagem para o mundo adulto.

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O homem mata a mulher e a queima. Subitamente, a natureza não é mais tão ameaçadora, pois sobrevive consumindo frustas silvestres. Na última parte, ele volta-se e encara os três animais, representantes das misérias humanas, e essas figuras míticas devolvem-lhe o olhar sem ameça e sem medo - um momento de reconhecimento, que antecede a última cena do filme, e que lhe é o pressuposto: nesse instante, não há recriminação, não há julgamento, não há rejeição. Aceitar a condição humana sem debater-se numa reação infantil de recusa cega ou de demonização do mundo é o primeiro passo para a maturidade.

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Na última cena do filme, mulheres sobem a montanha e passam pelo homem sem percebê-lo, desprovidas de rosto. Esse é o momento de redenção, em que o homem já não projeta no elemento feminino todos os seus traumas. As mulheres já não possuem rosto, ou seja, estão livres da projeção. As mulheres não interagem com ele, não representam ameaça nem provocam uma atração perturbadora, anormal. Está aberta a porta para que o homem lide com as mulheres reais tal como são: seres humanos.

http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/10/13/anticristo-de-lars-von-trier/

Edigar disse...

Victor, eu gostei do seu longo comenta´rio e nem sei se você o fez direto para o blog do Lisandro. Eu só discordo de uma coisa. O filme é misógino, sim.

Rodrigo Cássio disse...

Caros,

Eu gostaria de entender melhor a posição dos que interpretam o filme como misógino. Quais as razões para esse juízo?

Tratando-se de um filme fundado na mitologia cristã, é possível perguntar se a misoginia não está na própria fonte, isto é, na narrativa bíblica sobre o Éden, na compreensão do pecado original como um produto do mau comportamento da mulher.

Aquela árvore que aparece em "Anticristo" não nos remete à árvore do bem e do mal, descrita na alegoria bíblica? Pra mim, essa base cristã é muito forte e determinante desta obra.

A leitura orientada pela psicologia da personagem, que o Victor praticou em seu comentário, acima, não me parece suficiente se quisermos discutir a "mulher" em "Anticristo".

A misoginia é do filme, ou está refletida nele?

Porque é perigoso esse tipo de acusação. Alguém aqui reclamaria de Rogério Sganzerla por causa do filme "A Mulher de Todos"? Faz sentido interpretar esse filme como uma afronta ao "feminino"? Ou ele será, antes disso, um caso de problematização do ideal de "mulher" no cinema?

Rodrigo Cássio disse...

Continuando...

É curioso notar que, para o Alfredo, "o filme invoca os mandamentos da bíblia e pode ser visto como uma volta e valorização do ideário cristão"

enquanto para José Fonseca, "existe uma ou mais mensagens neste filme", e "uma delas é a crítica ao cristianismo"

E aí? O filme ataca ou defende o cristianismo?

Penso que a chave para entender essa questão, assim como para debater o tema da misoginia, está naquela cena final, quando o jardim do Éden é tomado por uma multidão de mulheres sem rosto...

Um desfecho belíssimo, aliás.

Abraços.

Fabrício C. Santos disse...

No geral, gostei. O prólogo é maravilhoso, e aquilo ali é um fazer amor dos mais profundos, inclusive literalmente.

Mas aí terminei meio decepcionado, pois me parece, a princípio, um simples caso de "do sexo vem a morte e a culpa, pelo sexo serão punidos", um pensamento liderado pela personagem da mãe. E é tudo uma filhadaputagem feminina, mas que chega a ser dúbia, como o próprio Dafoe (deslocado que dói) insinua quando questiona as interpretações dela sobre a própria tese: o mal contra a mulher ou o mal através da mulher?

Um dia depois, pensando mais um pouco, me pareceu ser uma espécie de comentário bem cínico (isso é a cara do Lars) e agressivamente zoador sobre como a sociedade, em sua história (sexista), tomou os escritos bíblicos. Apostaria que isso é uma tremenda pegadinha com alguns ideais cristãos ultrapassados, que desde o Éden a culpa recai sobre a mulher (e sua natureza), e supostamente as merdas acontecem porque o homem seria tentado pela mulher etc. Nesse sentido, vi aqueles bichos como umas versões zôo-satânicas dos Reis Magos - a raposa falante das trevas faz par com a cabra das trevas de "Arraste-me Para o Inferno", em que há capetices mais fanfarrônicas.

Enfim, é como uma Bíblia do avesso ("ANTIcristo"), no sentido mais feio e impressionante. E isso é mais bom do que ruim, creio.

Anônimo disse...

Rodrigo Cássio,
O mundo é misógino, o filme não.
Você deve ser novo, relaxa, leia mais um pouco, escute, mais na frente teça opiniões da "sua" forma, o que "você" pensa.
Ou muda de mestrado, vai fazer outra coisa.

Alfredo,
O dialógo entre professor e mestrando esclarece pouca coisa e é de um tom professoral de enervar, infantil mesmo, do tipo: "mãe, vem ver o blog que eu fiz com meu amiguim". Mais infantil que isso é dizer simplesmente: "é misógino sim", e ponto.

O dono do blog fica só observando quase não assina uma escritura. Poderia ao invés de falar de cinema falar de futebol, bem melhor.

Maria Euci disse...

Olha aí anônimo, não revela o nome mas destila muita raiva. Não seria melhor entrar no debate, expressar seu ponto de vista, em vez de apelar. O dono do blog, apesar de não concordar quase nunca com ele, é simpático e nunca grosseiro. E acho até que ele fala demais.

Elaine disse...

Esse ou essa "anônima" é muito magoada (o). Esse blog é do debate aberto, nunca tive problemas. Dê seu nome, ou não, mas entre no debate com seriedade e sem apelar.

Thomas Silva disse...

Anônimo, Maria Euci e Elaine,
Não quer brincar não desce "pro play".
Victor Hugo, muito bom seu “beno trovato”.
Mais uma vez,
Parabéns ao blog professor.

Polly disse...

Estou me deliciando com os comentários(Tirando o comentário do Anônimo-doidão!¬¬)

Rodrigo Cássio disse...

O que mais lamento no comentário do Anônimo não é a rudeza ou o provável ressentimento, mas sim o fato de que ele me censura por eu emitir opiniões da "minha" forma e como "eu" penso.

Temos aqui uma falácia ad hominem: aquilo que eu penso e digo não mereceria crédito, porque sou jovem demais para pensar e dizer.

Para Anônimo, não importa analisar o que eu digo, mas apenas quem eu sou, e o lugar de onde falo.

Involuntariamente, ele exemplifica que a censura, hoje, é muito mais “interna” que “externa”. Não temos um AI-5, mas sempre há alguém que nos “esclarece” sobre quem pode ou não se expressar com liberdade. Lamentável.

Lisandro Nogueira disse...

Prezados amigos,

Voltando ao filme: o que chama a atenção em "Anticristo" é a capacidade do cineasta em misturar procedimentos de alguns gêneros (inclusive gêneros como o Terror, Suspense)e mantê-los sob o domínio da qualidade.

Em outras palavras, Lars Trier aproveita a comunicação inata desses gêneros e, sob o seu domínio, os reutiliza com o propósito de alavancar a história (o enredo). Faz isso sem se render as armadilhas sedutoras do Terror e do Suspense. Sabe tirar proveito e cria a encenação rica e autoral.

Elaine disse...

O filme lembra mesmo filmes de terror e suspense. Há cenas que lembram "A hora do espanto". E acho que o tema da misógenia não está presente. É muito além disso. É um filme sobre a humanidade, incluindo homens e mulheres. É um filme sobre a história da natureza humana.

Daniel Christino disse...

Ainda não vi o filme (verei, talvez, hoje) mas o comentário do Lisandro sobre o modo como o Trier "joga" com os gêneros narrativos me lembrou a conversa sobre o Tarantino. Ele também constrói suas narrativas numa floresta de referências. Contudo, pelo que vi em seus outros filmes, Trier é mais - humm.... - "maduro" (não sei se o termo é o melhor). Sua paródia do musical e do melodrama - Dançando no escuro - é muito boa. Dogville pode ser considerado como uma espécie de filme-ensaio, assim como o antigo Os idiotas. E não podemos acusar Trier de não recorrer ao humor - texto em Dogville é muito irônico, principalmente com o acento deliciosamente britânico do John Hurt.

Rodrigo Cássio disse...

Olá Daniel,
Mas o Trier e o Tarantino seguem linhas bem diferentes, no fim das contas. Em Anticristo, a presença dos gêneros não acarreta a paródia, mas, eu diria, uma confiança naquilo que os gêneros podem oferecer como representações da sensibilidade humana, especialmente do medo ou do desejo sexual, nesse caso. Já o Tarantino se desprendeu há muito do mundo dos fatos; ele é puro intertexto e fechamento do cinema em si mesmo.
Nesse ponto, especificamente, o Trier ainda tem "algo a dizer" sobre o mundo, referenciando-o diretamente. É um discurso que se propôe a isso.
Estive pensando: o tratamento da mulher em Anticristo é muito provocante. A acusação de misoginia é sem cabimento. Talvez, seja até possível uma interpretação inversa, que compreende a mulher, em Anticristo, como o verdadeiro centro da narrativa - não um objeto de contestação, mas, longe disso, um objeto de estudo em diferentes frentes: da mulher histórica originada na mitologia bíblica ao momento moderno no qual a psicologia humanista substitui a verdade revelada, sem que isso transformasse, a fundo, o lugar da própria mulher no mundo.

Daniel Christino disse...

Pois é Rodrigo. O Tarantino seria um pós-moderno? Perdeu o contato com o chão e agora vive nas árvores, como o Barão Cosme? Essa coisa de discutir o cinema alemão do entre-guerras no intermezzo de sequências parodiando sub-gêneros (Western, Kung-fu, etc.) tem seu charme, mas também se esgota rapidamente. Tarantino parece gostar de dialogar "horizontalmente" com a história do cinema.

Já o Trier usa a linguagem cinematográfica (a forma, a técnica) para abordar temas de modo mais "vertical", mais aprofundado. Há, por exemplo, um elemento narrativo nas histórias de Terror que é característico do gênero: a limitação do espaço. Uma floresta, uma casa, um quarto. A noção de claustrofobia é essencial para o desenvolvimento do clima de Terror. Tanto em Edgar Allan Poe (O Poço e o Pêndulo) quanto em George Romero (A noite dos mortos vivos) a circunscrição da ação aos limites de um determinado local nos leva a uma situação da qual não se pode fugir: estamos trancados juntamente com o Mal. Se essa é a interpretação que Trier dá ao refúgio do casal - e à alma humana, presa dentro de si mesma com o único recurso da sua racionalidade a lhe valer - então ele decodificou o gênero totalmente e o subverteu no processo.

Outro elemento do Terror é sua característica sobrenatural. Há uma elemento mestafísico e ameaçador movendo-se nas cercanias do espaço limitado, uma ameaça difusa da qual não é possível safar-se materialmente. Se Trier representa esse elemento através do cristianismo e o faz "possuir" a figura feminina forçando-a a dilacerar-se para escapar, então ele propõe uma leitura do gênero completamente diferente da tradicional e isso pode ser genial. É este modo de lidar com as referência que eu consideraria maduro no Trier e não tão maduro no Tarantino.

Eles possuem estilos distintos, trabalham a imagem e a história do cinema de modo diverso, mas a medida da qualidade em ambos pode ser lida no modo como cada obra dialoga formalmente com seu conteúdo.

Rodrigo Cássio disse...

Daniel,
Penso que o Tarantino pode ser chamado de pós-moderno, sim. E diria que as características que viabilizam esse conceito para definir a sua obra são as mesmas que o tornam menos maduro que o Trier, na acepção que você usou.
Em Tarantino, de certo modo, os signos estão sozinhos, e o que mais se exige do espectador é um deleite com as imagens: talvez por isso a violência unifique os seus filmes, costurando o tecido de citações. Só o que resta é a violência e o gozo: o cinema em chamas, no final de Bastardos Inglórios, sintetiza a obra do Tarantino.
O Trier não tem a mesma relação com os genêros: ele não quer acumular referências, mas continuar a explorar aquilo que é oferecido, por exemplo, no legado do cinema de horror, enriquecendo-o ao seu modo. Você vai direto ao ponto do que eu mencionava no outro comentário: a associação das convenções do filme de horror ao cristianismo (e também as práticas modernas de subjetivação, eu acrescentaria), acaba resultando em um tratamento bem singular da mulher em Anticristo. Não apenas da mulher, mas da origem judaico-cristã das nossas formas de sentir e desejar!

Agostinho disse...

O filme é pronfudamente cristão na minha modesta opinião. Não é contra mulher e nem contra o homem. É um filme sincero sobre a existência humana. Não é um filme sobre a nossa origem judaico-cristã. É um filme sobre a natureza humana - e muito bem feito.

Henrique disse...

Adorei o post sobre o filme "anticristo" do von trier. Conheço alguns filmes do diretor e em nada me decepcionou esta nova obra do cineasta dinamarques.
Assim como foi citado numa das falas dentro da discussao, a opçao de abusar da camera lenta no início do filme e a escolha pelo preto e branco só enriqueceu a beleza destas cenas, deixando de lado o melodrama para se tornar bela e prazerosa, mesmo que sendo forte e impactante.
é a opiniao de um leigo sobre cinema, mas que admira um "bom filme".

Valéria Borges disse...

Gente! quanta beleza e quanta dor. É muito filme para uma só pessoa.

Daniel Christino disse...

Acabei de assistir ao filme e, sinceramente, gosto mais de outros trabalhos do Trier. Inclusive tecnicamente.

As cenas em câmera lenta no início me incomodaram um pouco - fiquei com a sensação de estar assistindo a um clip do R.E.M. - mas ela logo foi embora. Eu gosto disso no Trier, ele não tem medo de filmar o corpo humano. Faz um bem danado essa impudicícia.

A exploração que ele faz do sexo e do corpo na Idade Média é superficial demais. O cristianismo, pelo que notei, é parte do elemento terrível do filme. É como se fosse uma espécie de mandinga arcaica para evitar que o diabo escape do corpo de mulher. Uma terapia selvagem.

Gostei da tensão entre civilização e natureza representada na figura do analista. Num outro contexto um autor de quem gosto muito - Cormac McCarthy - fala sobre o fogo e de como é necessário "carregar o fogo" de geração em geração e este seria o trabalho do homem, ao fim e ao cabo. Tá lá no monólogo final do Tommy Lee Jones em No country for old men. O desenlace, como em todo bom filme de Terror, se dá na realização imediata da loucura da esposa - como se ele fosse, de fato, um detetive -, uma compreensão racional clara que, ao mesmo tempo, impõe o desvelamento pleno da loucura nas cenas de tortura e mutilação.

A cena de terror do ano é a da raposa: Caos Reigns. Nem o Coringa teria dito melhor!!! Aliás, valeria a pena uma pesquisa sobre os animais da floresta: a raposa, o corvo e a corsa (ou veado). Bem como daquelas constelações demoníacas - uma espécie de horóscopo das bruxas: os três mendigos.

Ao final só posso dizer uma coisa: o homem que escapou daquele ordálio é tudo, menos bundão!

Anônimo disse...

Vitor Hugo teve seu comentário "chupado" para cá!!!????

http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/10/13/anticristo-de-lars-von-trier/

Pedro disse...

Olá Milton Ribeiro,

Não foi "chupado", não. O comentário foi postado por alguém. De qualquer forma, um bom comentário e muito bem aceito.

Pedro Vinitz -

Fabrício C. Santos disse...

Revi na noite de ontem. Amiga minha disse que, para ela, seria o "filme de bruxa do Lars von Trier", ele que, aproveitando e concordando com alguns comentários daqui, também é um cineasta de "releituras".

Essa visão dela faz sentido, embora eu prefira encarar como a pequena Bíblia do avesso que mencionei anteriormente, com a Charlotte no papel da ultimate bitch da vez. O Lars flerta bem com o Terror, mas ainda acho que ele já fez isso, e fez bem melhor, na sua pequena série "Riget I" e "Riget II" ("The Kingdom", que depois ganhou versão americana com produção do Stephen King).

Acho que, seja no seu melhor ou no seu pior ("O Grande Chefe", alguém?), o Lars von Trier fica sempre mais interessante se não for levado tão a sério - inclusive em suas declarações, que nem ele deve falar pra valer.

Gostei mais do que esperava, e menos do que acredito que o Lars seja capaz. De todo modo, se o McDonald's lançasse os Três Mendigos como brindes (a raposa teria um botão que, quando apertado, falaria "Chaos reigns"), eu compraria.

Em tempo: se você, casal de namorados, pensa em ir para o motel depois de um cineminha, "Anticristo", com todo seu cuidado especial com genitálias, talvez não seja eu filme.

Valéria Borges disse...

Vou ver o filme hoje novamente. Ele é muito bom e merece mais olhares.

Manu Chelo disse...

Filmaço!
Se ele mistura "gêneros" cinematográficos ou não, se é misógino ou não - acho que não - , eu não sei; só sei que o filme numa talagada só reflete sobre psicanálise, culpa, medo e religião. Com qualidade de imagem. Quê mais de um filme podemos esperar? Esse filme para mim está na mesma ordem de Encouraçado Potequim, Deus e o Diabo na Terra do Sol ... e minha bola de cristal diz que este filme será admirado e cultuado como um divisor de águas no cinema num futuro não tão distante.

Riva Kran disse...

Querido professor! assisti o filme motivada por seu blog. Gostei muito. Filme inquietante, debate intenso no blog... Gostei do comentário do Victor Hugo. Ainda mais eu, que adoro o olhar psicanalítico sobre o cinema. (Kaplan, Mulvey e etc)Bom, agora como me professor me ensinou, preciso assistir mais vezes ao filme pra refinar o olhar! Um grande beijo e parabéns pelo espaço aberto de análises, trocas e encontro!

lisandro disse...

Bom dia!! profa. Riva,
É muito bom recebê-la aqui no blog. E vamos continuar debatendo e trocando idéias. Venha sempre...
Lisandro

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