quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quentin Tarantino, entrevista

ENTREVISTA QUENTIN TARANTINO 

PLAYBOY - Como é para um jovem ser transformado da noite para o dia de rato de cinema em um astro de rock, como aconteceu com você quando Pulp Fiction foi lançado?
Quentin Tarantino - Vamos deixar uma coisa bem clara: estamos usando o termo astro de rock porque você o trouxe à tona.
PLAYBOY - A fama súbita mudou o jeito das mulheres em relação a você? Diretores-roqueiros também têm fãs dispostas a algo mais do que um autógrafo?
Tarantino - Antes mesmo de Pulp Fiction, comecei a descobrir como é cool ser diretor. Quando passei a freqüentar o circuito dos festivais, estava transando o tempo todo. Nunca havia saído do país, e eu não só estava transando adoidado como transando com garotas estrangeiras. Quando não transava, estava dando uns amassos numa garota italiana que era a imagem escarrada de Michelle Pfeiffer.
PLAYBOY - Era com esses tipos de mulher que você sonhava quando ganhava um salário mínimo?
Tarantino - Não, não vivi a Vingança dos Nerds. Sempre gostei de mulheres interessantes e bonitas. Nunca andei por aí achando que eu era um idiota que não poderia descolar ninguém. Nunca achei que nenhuma garota fosse inatingível, desde que ela tivesse tempo de me conhecer melhor. Mas, quando você passa boa parte de seu tempo alugando filmes na Video Archives [locadora onde Tarantino trabalhava], é muito difícil de encontrar garotas, a não ser que elas estejam a seu redor. Durante o tempo em que estive trabalhando na locadora, minhas únicas namoradas foram freguesas. Fora isso, eu saía com meus amigos sem namoradas e ia ao cinema. No minuto em que comecei a trabalhar em lugares onde tinha contato com mais mulheres, a história tornou-se bem diferente. Quando comecei a encontrar garotas no circuito dos festivais, me senti como Elvis. Fiquei malucaço por um tempo -- dando os maiores amassos. Adoro beijar. Beijo bem.
PLAYBOY - E a respeito das massagens nos pés que você popularizou em Pulp Fiction?
Tarantino - Sou conhecido por fazer uma ótima massagem nos pés. Mas com Cães de Aluguel e Pulp Fiction a coisa ficou fora de controle. Tinha que recuperar o tempo perdido. O que garotos bonitões fazem aos 20 anos, eu estava fazendo aos 30. Posso ir a qualquer bar que nunca coloquei os pés antes e, em dois minutos, ter duas garotas ao meu redor, se não mais. Geralmente vou para casa com alguns números de telefone no bolso mesmo que não peça por eles. Se for a um bar de strip-tease e jogar as cartas certas, posso levar uma stripper para casa. Se uma stripper dança para mim já no fim da noite, ela provavelmente vai me convidar para um café ou coisa parecida.
PLAYBOY - Depois da fama, qual foi a sua maior surpresa com as mulheres?
Tarantino - Uma coisa pela qual não esperava era receber correspondência com conteúdo sacana das fãs. Acho o máximo.
PLAYBOY - Você quer dizer fotografia delas peladas?
Tarantino - Nunca recebi fotografia de fãs peladas. Eram garotas de 12, 13 ou 25 anos, que tinham grandes taras por mim e que me escreveram sobre isso. Também recebi cartas sacanas muito legais. As garotas andaram filosofando sobre minha sexualidade. Algumas das fotos e cartas eram brilhantes.
PLAYBOY - As melhores delas, por favor.
Tarantino - Uma garota me mandou uma latinha de bolas de tênis com uma foto e um bilhete, que dizia: "Agora que você tem bolas, me liga".
PLAYBOY - Você ligou?
Tarantino- Liguei, mas ela estava em Saint Louis e eu não quis viajar até lá. Respondi algumas cartas. Jamais vou esquecer uma das garotas. Acho que nem cheguei a ligar para ela. Estava com medo de que fosse muito jovem. Na fotografia, parecia ter 20 anos, mas também podia ter 15. Era uma jovem negra. Estava rodando Um Drink no Inferno, com George Clooney. Fui bater no trailer dele. Ao ler a carta para ele, George disse: "Uau".

PLAYBOY - Ele recebe boas cartas também.
Tarantino- Nos divertíamos lendo as cartas sacanas um do outro. Esta era muito criativa. Primeiro, ela falava sobre os filmes que gostaria de assistir comigo, usando uma linguagem de garota cinéfila cool. Depois, entrava na baixaria, mencionava beijos por horas e escrevia: "Eu quero te vestir como uma camareira francesa e, enquanto sento numa cadeira vestida com cinta-liga, calcinha e fumando um cigarro, farei você tirar cada fiozinho do carpete. E não vou ser boazinha! Você vai ter que ficar de quatro, e eu quero o carpete completamente limpo enquanto fumo meu cigarro".
PLAYBOY - Já se passaram seis anos desde Jackie Brown. Por que tanto tempo? Houve rumores de que você teve crise de ansiedade e bloqueio para escrever.
Tarantino- Não tive bloqueio nenhum. Escrevi muito durante esses seis anos. Escrevi um longo filme de guerra chamado Inglorious Bastards [Bastardos Inglórios], que foi como uma novela gigantesca. Poderia resultar em três filmes diferentes. Não fiquei ansioso ao escrever Kill Bill nem estava com medo de que o mundo visse meu filme. Apenas queria que ele fosse muito bom. Gastei um ano para escrever apenas uma longa seqüência de luta em Kill Bill.
PLAYBOY - Os cineastas Orson Welles e Peter Bogdanovich também fizeram filmes revolucionários no começo de suas carreiras. Mais tarde, porém, não conseguiram repetir o feito e pareceram algemados à expectativa do público. Isso é perigoso?
Tarantino- Adoro ser algemado a expectativas. Nunca tive problema com isso. Não estou tentando recriar o fenômeno de Pulp Fiction, mas pretendo continuar inovando. Nada a respeito do sucesso e reconhecimento que Pulp Fiction teve foi ruim ou negativo. Blade Runner só foi valorizado dez anos depois de pronto. Achava que minha vida seria assim. Não imaginava essa explosão já durante o lançamento do filme.
PLAYBOY - O que é inovador em Kill Bill?
Tarantino- Não penso dessa forma. As pessoas irão ver o filme e filtrá-lo de volta para mim. Venho tendo essa conversa há algum tempo, porque, para algumas pessoas, Cães de Aluguel seria o melhor que eu poderia fazer. E agora esse pobre e estúpido garoto está tentando superar Cães de Aluguel? Se alguém tivesse me perguntado que tipo de inovação houve em Pulp Fiction, teria que dizer nenhuma. Era apenas o que queria ver num filme, o que achava que seria cool. Não me surpreendo quando as pessoas ficam surpresas. Elas não assistiram a todos os filmes que eu vi e não estão enfastiadas com filmes como eu estou. Preciso fazer essas coisas para a experiência de filmar valer a pena.

PLAYBOY - Este filme era para ser uma pequena produção antes de seu grande filme sobre a Segunda Guerra Mundial. Agora Kill Bill tornou-se tão grande que precisou ser dividido em duas partes, que custaram seis vezes mais que Pulp Fiction. Como isso aconteceu?
Tarantino- Quando Ethan Hawke, então marido de Uma Thurman, leu o roteiro pela primeira vez, disse: "Quentin, se este é o épico que você está fazendo antes de fazer seu épico, receio por seu épico". Kill Bill tornou-se um grande épico do gênero exploitation [filmes com temática negra e pancadaria típicos da década de 70]. Espero que seja a produção que todo amante dos filmes de exploitation estava esperando, sem a pretensão de ser um grande épico.

PLAYBOY - Não é esquisito dividir um filme em duas partes?
Tarantino- Não havia nada que me impedisse de dividi-lo. Sempre desenhei filmes para serem maleáveis, sempre criei diferentes versões para a Ásia e para os Estados Unidos e a Europa. Não faço filmes para os americanos, faço filmes para o mundo. No último mês de filmagens, Harvey Weinstein [co-presidente do estúdio Miramax] veio nos visitar no set e sugeriu dividir o filme em duas partes. Em apenas uma hora, eu já havia equacionado como tudo funcionaria. De cara, nós filmamos duas seqüências de abertura. Este é o meu tributo ao cinema de lutas marciais e alguma coisa estava me incomodando em lançar um filme de pancadaria com duração de três horas. Pareceu-me pretensioso um filme de arte meditando sobre um filme de pancadaria. Dois filmes de 90 minutos sendo lançados rapidamente, um depois do outro, não é pretensioso, é ambicioso.
PLAYBOY - A abundância de sangue em Kill Bill vai limitar a audiência?
Tarantino- Eu gosto de Kill Bill porque é violento para caramba, mas também porque é divertido para caramba. O filme não se passa em nosso universo, e sim no universo cinematográfico. É um filme que sabe que é um filme. Você pode gostar dele ou não, mas, se é um amante de cinema e conhece o negócio, acabará ao menos sorrindo ao assisti-lo. Em determinado momento, Harvey Weinstein estava preocupado que a violência espantasse o público feminino. Eu disse: "Não se preocupe. Elas vão amar o filme. Elas vão se sentir revigoradas por ele". Acho que garotas de 13 anos vão amar Kill Bill. Quero que jovens garotas possam ver esse filme. Elas vão amar a personagem de Uma Thurman. Elas têm minha permissão para comprar ingresso em um multiplex para outro filme e entrar de bico em Kill Bill. Esse é um dinheiro que abro mão. Quando era garoto, costumava ir aos cinemas quando eles não tinham o título dos filmes no ingresso. Sou bicão de cinema há muito tempo.
PLAYBOY - Você idealizou Kill Bill com Uma Thurman no set de Pulp Fiction. Depois ela e o ex-marido, o ator Ethan Hawke, tiveram um filho. Você teve que decidir se esperava até ela dar à luz ou se a substituiria. Essa grande espera deve ter lhe deixado tentado a trocá-la, não?
Tarantino- Pensei muito nisso durante duas ou três semanas. Era uma decisão que precisava tomar.
PLAYBOY - Como ela o convenceu do contrário? Esta é a mais suculenta personagem dela desde Pulp Fiction.
Tarantino- Uma estava tão entregue ao papel, tão enamorada deste filme, que eu teria partido o coração dela caso tivesse optado por outra atriz. Mas ela também não queria arruinar minha vida, afinal estava tendo o bebê e o filme era meu. Ela me deixou decidir. E decidi. Tinha que ser com ela. Se você é Sergio Leone, consegue Clint Eastwood para fazer Por um Punhado de Dólares e ele fica doente, você espera por ele. Se você é Joseph von Sternberg fazendo Marrocos e Marlene Dietrich quebra a perna, você espera.
PLAYBOY - Warren Beatty assinou contrato para interpretar o personagem Bill. Ele foi substituído por David Carradine, o que manteve viva sua tradição de reciclar atores esquecidos do passado, como John Travolta, Pam Grier, Robert Foster. Por que Warren não fez o filme?
Tarantino- Ele queria muito. Mas, quando chegamos mais próximos do início do trabalho, as coisas mudaram. Na hora H, ele achou que seria um compromisso maior do que eu deixei transparecer. Bill não aparece até quase o final do primeiro filme, mas Warren teria que passar por um treinamento de três meses de kung fu, ao qual todo mundo foi submetido. E ele não estava preparado para treinar por tanto tempo.
PLAYBOY - Ele teria que ter deixado a família.
Tarantino- Assim como todos. Vivica Fox deixou a família por um longo tempo. E as cenas dela foram rodadas durante apenas uma semana e meia. Ela enfrentou três meses de treinamento, incluindo um mês em Pequim, e a cena dela foi rodada seis meses depois. Ela não gostou disso, mas, quando aquela semana e meia chegou, ela arrasou como você não poderia imaginar. Eu precisava dessa dedicação.
PLAYBOY - Quem pensou em David Carradine?
Tarantino- Warren Beatty. Pensei em Carradine depois de ler a autobiografia dele, mas nunca disse a ninguém. Warren, de repente, sugeriu o nome dele e eu ri. No minuto em que ele falou em Carradine, me convenci.
PLAYBOY - David Carradine tem a reputação de ser um pouco excêntrico.
Tarantino- Sou grande fã dele. Junto com poucos atores, como Jack Nicholson e Christopher Walken, David é um dos grandes gênios loucos da comunidade de atores. Há também o aspecto de ter Gordon Liu representando Hong Kong e Sonny Chiba representando o Japão, além de David Carradine, estrela do seriado Kung Fu, representando os Estados Unidos - uma reunião dos três países que fizeram o que o gênero de artes marciais é hoje.
PLAYBOY - Você passou quatro meses na China rodando Kill Bill. Como um cara se diverte num país comunista?
Tarantino- A vida noturna na China é uma loucura. A Sixth Street, em Austin, tem um monte de bares. Bem, em Pequim, eles têm cinco ruas como aquelas e os bares ficam abertos durante a noite toda. Quando terminávamos de filmar após seis dias seguidos, saíamos para as baladas. A gente ficava fora a noite de sábado inteira e dormíamos o dia todo no domingo. No momento, a China é a capital mundial do ecstasy. Eles têm ecstasy que vai além do ácido. É demais. A gente se divertiu muito na China.

PLAYBOY - Você tomou ecstasy?
Tarantino- Tomei. A primeira vez que fui à Grande Muralha da China, estava rolando uma rave, que durou a noite inteira. Havia bandas de rock e fogos de artifícios. A gente estava fumando maconha e tomando ecstasy. Foi o máximo. Eu e uma parte da equipe técnica nos divertimos como roqueiros. É um grande jeito de ver a Muralha pela primeira vez.
PLAYBOY - Você escreve sobre bad guys que passam pelos piores problemas imagináveis. Qual foi a pior situação que já teve de se livrar? Foi quando passou um tempo na cadeia?
Tarantino- Fui para a cadeia em três situações diferentes, todas por violações de trânsito. Estava com 20 anos e quebrado. Ganhava 8 mil dólares por ano. Se me pegavam por alguma imprudência no tráfego, eu tinha que ir para o xadrez, pois não podia pagar multa ou fiança e isso quer dizer cana na certa. Você cumpre os dias na prisão e depois tenta evitar que te peguem novamente.
PLAYBOY - Você socou um produtor de Assassinos por Natureza num restaurante de Hollywood e se atracou num bar de Nova York com um cara que criticou o jeito que você se refere aos negros em seus filmes. Você perde a esportiva facilmente?
Tarantino- Não acho que tenho o pavio curto. Posso entrar numa discussão e a coisa esquentar. Mas não vou às vias de fato por conta própria, porque sei que não existe um limite para mim. Dependendo de quão grossa a merda fica, vou até o fim se achar necessário. Mas não quero. A vida será muito mais fácil se eu não brigar. Posso ficar com muita raiva de um cara sem bater nele. Mas, no minuto em que ele engrossar, estarei lá.
PLAYBOY - E valeu?
Tarantino- Sim. Pou! Dei-lhe uma porrada. Os leões-de-chácara me seguraram, o cara tentou morder o meu peito. Ele tirou um naco de mim, bem do meu mamilo. Que grande filho da puta!
PLAYBOY - Isso parece uma cena de seus filmes. Provavelmente você nunca imaginou que seria ordenhado alguma vez na vida.
Tarantino- A única razão pela qual não me machuquei ainda mais é que ele foi com muita sede ao pote. O cara abriu demais a boca para tentar tirar um baita naco de mim. Acabou com carne demais na boca. Se ele tivesse dado uma mordida pequena, provavelmente eu não teria um de meus mamilos agora.
PLAYBOY - Ele custou os 30 mil dólares que você esperava?
Tarantino- Não, pois fiz uma coisa esperta. Disse a mim mesmo que não iria ligar para meu assessor de imprensa, não contaria a ninguém. Não queria criar um clima de que eu tinha apenas cinco dias antes que o cara descobrisse quem eu era. Só dois meses mais tarde contei aos amigos.
PLAYBOY - Brigas ajudam a compor sua mística. Por que as pessoas ficam tão intrigadas com você?
Tarantino- Por dois motivos. Primeiro, porque ficam fissuradas com meus filmes. Talvez eu as excite com filmes que elas nunca viram antes. Segundo, minha história pessoal se encaixa no grande sonho americano, como elas provavelmente assistiram na televisão ou leram em entrevistas. Sou um cara aberto, o que você vê é o que eu realmente sou. Isso é, aliás, uma coisa que me enojou um pouco na mídia. Algumas vezes tive a impressão de que eles estavam tirando sarro de mim pelo que eu sou. Pode parecer uma reclamação infantil, mas, uma vez que você é adulto, as pessoas não tiram mais sarro de você. Pelo menos não na cara.

PLAYBOY - Você virou uma caricatura.
Tarantino- olta e meia leio sobre alguém tirando sarro da minha aparência, meu cabelo, meu maxilar ou do jeito que falo. Já superei isso, mas fiquei magoado. Não estava esperando por isso. Quem precisa dessa merda? Não quis passar por isso durante o colégio. Foi por essa razão que caí fora da escola. A imprensa está sempre reclamando de todo mundo ser tão resguardado. Não sou resguardado e estou pagando por isso. Mas já superei essa fase.

PLAYBOY - Tanto por Cães de Aluguel quanto por Pulp Fiction você foi acusado de tomar emprestado idéias de filmes obscuros de Hong Kong. Fale sobre suas influências na cena de Pulp Fiction na qual Bruce Willis e Ving Rhames estão trocando sopapos, vão parar numa loja de penhores e são capturados por homossexuais estupradores, de onde veio aquilo?
Tarantino- Não sei exatamente como essas coisas acontecem. Sou daqueles que não se preocupam muito em ser analítico antes do tempo. Apenas deixo as histórias tomarem o rumo que elas tomam.

PLAYBOY - Na questão do estupro homossexual, pode-se comparar a cena na loja de penhores com a de Amargo Regresso, de John Boorman.
Tarantino- Roger Avary [co-roteirista de Pulp Fiction] surgiu com a idéia. Ele tinha escrito um roteiro inteiro para um filme. Mas eu não queria fazer a coisa toda, apenas uma seqüência que se encaixasse em Pulp Fiction. Comprei aquele roteiro apenas para adaptar a parte que gosto. Queria fazer isso porque significava retrabalhar algo que causou impacto em Amargo Regresso. Aquele estupro anal selvagem surgiu tão de repente que eu achei engraçado.

Entrevista de Quentin Tarantino para Revista PLAYBOY - outubro de 2009.

1 Comentário

jakeline magna disse...

Adorei a entrevista, Feliz 2011 professor Lisandro Nogueira.

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