sábado, 6 de agosto de 2011

Melancholia, de Lars Von Trier (em cartaz)

Bandeira branca

Carolina Arantes*

Em entrevistas, Lars Von Trier declarou que ‘Antricristo’ o tirara de uma fase aguda da depressão. Após dois anos – e declarações antissemitas infelizes –, o diretor estreia Melancolia e é como se, passada a tempestade, retratada em ‘Anticristo’, ele pudesse ‘falar a respeito’, com ‘Melancolia’.

O longa caracteriza a depressão como estado de espírito e como força exteriorizada: o Planeta Melancolia, em rota de colisão com a Terra. De estrutura simples, tem um prólogo seguido de duas partes, que dimensionam e opõem as irmãs Justine (Kirsten Dunst, Palma de Ouro pelo papel) e Claire (Charlotte Gainsbourg).

Na primeira parte, uma festa de casamento suntuosa organizada por Claire e seu marido (Kiefer Sutherland) desmorona conforme a noiva, Justine, alheia a tudo, luta sem sucesso para chegar ao fim do ritual. Na segunda, a família se reúne no mesmo castelo, propriedade do casal, onde os personagens se transformam conforme a possibilidade de colisão dos planetas se confirma.

O estado de espírito de Claire não é momentâneo. Ela é depressiva, por todos os motivos, ou por motivo nenhum. Uma dessas pessoas imunes às ilusões. Enquanto Claire se desespera com o futuro apocalíptico, Justine torna-se serena. Como se, depois de sempre não pertencer, ela confirmasse seu não-lugar.

Consistente, portanto, a declaração do diretor sobre ter feito um filme romântico. Romântico, inclusive, no sentido clássico. Catastrófico, de fato. (Na trilha, ‘Tristão e Isolda’, de Wagner.)
Apaziguado com a própria melancolia (com a qual convive há anos), Von Trier parece concluir: aceita a inevitabilidade deste estado de espírito (e, na leitura exteriorizada, do fim do mundo), vive-se (ou morre-se) com a quantidade exata da dor: a real.

Para felicidade do público, a estética do prólogo é semelhante a de ‘Anticristo’: cenas em câmera lenta e cortes secos. Um filme de beleza elegante, realizado por um diretor coerente. A quem falta, apenas, um relações públicas do tipo babá.

* Carolina Arantes é jornalista.

1 Comentário

Juliana S. disse...

Excelente análise, concordo absolutamente com o comentário conclusivo.

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