quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Lobão é um chato

Lobão afirma (acessar aqui) que Chico Buarque é parnasiano e chato.

Lisandro Nogueira

Lobão e Nelson Mota (outro chato) foram à feira literária de Ouro Preto e bateram em Chico Buarque .

Eu acho o Chico Buarque um horror, um equívoco, um chato, um parnasiano. O Olavo Bilac é muito mais moderno que ele. Ele faz uma música anêmica, sem energia, sem vivacidade, parece que precisa tomar soro. A Bossa Nova é a mesma coisa, uma música easy listening, que toca em loja de departamento quando a gente vai comprar uma meia".

Lobão sempre dá uma bola fora. Há algum tempo criticou duramente as gravadoras e fez a apologia da música independente. No outro dia, gravou seu acústico com uma multinacional do disco.


Dando continuidade à conversa, aqui no blog, sobre conteúdo e forma, a afirmação de Lobão vem a calhar: Chico Buarque é infinitamente melhor músico e letrista que Lobão. A forma e o conteúdo da obra de Buarque fazem-na bem superior à obra do roqueiro infanto-adulto. O Lobo é engraçado, fanfarrão, faz músicas interessantes e é um popstar inteligente. Mas fala bobagem junto com Nelson Mota. A geração de Chico e Caetano não tem de provar mais nada. E bater nessa geração, com o objetivo de ganhar a atenção da mídia e da juventude, é perda de tempo.

Contudo, vamos dar um desconto para Lobão. O tutor dele na inconclusa adolescência foi o Nelson Mota. A boa irreverência do Lobo poderia enriquecer e valorizar muito sua música. Mas a música dele é limitada. Ele bem que podia ver o filme sobre Bob Dylan (Dylan fala de Nat King Cole com carinho). Bater na geração anterior soa como infantilismo, se não como falta de talento.

26 Comentários

José Teixeira Neto disse...

Não mexam com o Panteão do Lisandro! Ou melhor, elogiem sempre!
Zeca (José Teixeira)

pasmoessencial disse...

Pô, Zeca - desculpe a intimidade - você pode até criticar o Chico Buarque, mas secundar uma fala do Lobão?!?

Rodrigo Cássio disse...

Lisandro, o Lobão lançou um dos melhores discos do final da década de 1990, justamente quando entrou em conflito com a indústria. Chama-se "A Vida é Doce". O disco é excelente, inclusive por incorporar aos devaneios do roqueiro os acordes dissonantes de Chico Buarque e da Bossa Nova.

Porém, ele fala demais. Pouco antes de lançar o "A Vida é Doce" na MTV, protestava publicamente contra a emissora, chamando-a de "controladora de mentes". Já entrou em briga com Caetano, o que rendeu uma música (também boa, por sinal), e agora ataca as influências ocasionais que o permitiram fugir daquela pasmice dos anos 1980, de um rock meio iê-iê-iê misturado com uma rebeldia sem causa.

No fundo, Lobão é um roqueiro de grande potencial. Se ele lançasse mais discos bons como "A Vida é Doce", estaria melhor do que hoje, posando de falastrão inveterado e repetindo-se musicalmente. No fundo, Lobão entrou na onda de uma crítica populista e boba que ataca a MPB a fim de agradar os partidários adolescentes do chamado rock alternativo (que de alternativo, mesmo, não tem nada), cujo maior representante é o Lúcio Ribeiro, da Folha.

Rodrigo Cássio disse...

* Correção: o cd "A Vida é Doce" não foi lançado pela MTV, mas apenas em bancas de jornais. O que Lobão lançou pela emissora, ano passado, foi o cd Acústico.

Marcelo Nogueira Dutra disse...

Lobão e o Chico:... daqui uns dias os dois estão juntos gravando um som.

Pessoalmente não conheço nenhum dos dois, conheço o som, e gosto dos dois.
A Globo (g1 no caso) gosta de tais espetacularidades claro, li e vi que já são setecentos e tantos comentários no g1. Esse texto seu "Lobão é chato" ficaria melhor nos comentários do g1. Um tópico para fofoca acho exagero.

Cinema que é bom nada...

Esperava mais de Caos Calmo. Tanto barulho por um melodrama comunzinho.

Lisandro Nogueira disse...

Olá Marcelo,
Lobão e Nelson Mota falaram publicamente. Não vejo como fofoca. É a batalha cultural. A idéia da construção da nação (somos uma nova nação, diz Darcy Ribeiro) passa pela continuidade. Não reconhecer o cânone (a referência) é fatal. Precisamos da continuidade. Lobão deveria ser bom músico e revistar a obra de Chico Buarque. Mas vou continuar falando de cinema...
ps- Você não gostou de Caos Calmo. Eu gostei. Mas é sempre bom rever.

Lisandro Nogueira disse...

Olá Marcelo, onde se lê "revistar", é REVISITAR.
ps- entra em cartaz amanhã um belo filme: "Reparo".

João Angelo Fantini disse...

não tem nada demais...o Lobão goza esse gozo da porrada.....outro dia ele diz que ama o Chico. De mais a mais, o A vida é doce é pura bossa nova.

João Angelo Fantini disse...

No estilo Lobão, aliás, vejam entrevista de Godard
http://daily.greencine.com/archives/2007_11.html

Belém Neto disse...

Coitado do Lobão... É um músico limitado, ainda mais limitado que o Chico, o que não quer dizer que os dois sejam ruins, mas apenas que o primeiro nunca alcançou um lugar ao sol devido à sua música, ao contrário do primeiro. Então sempre precisou de um "elemento externo".

O fato é: o Lobão sabe que ele não é muito bom. Mas sabe também que muita gente pior que ele, e muito pior que ele, faz muito mais sucesso e tem muito mais espaço. Acredito que isso o deixa extremamente irritado. Normal, irrita qualquer músico medíocre. E como falar mal de Chitãozinho e Chororó não leva a lugar nenhum, ele fala mal do Chico, do Caetano, do João..

Belém Neto disse...

Mas no fundo, pensando bem, o que vale é que o que ele disse não serve para nada. Pois a crítica parte do pressuposto do gosto dele...

Primeiro: ele não prova porque o Olavo é mais moderno. Muito menos porque tem que ser mais moderno.

Segundo: ele admite que música boa é que tem energia... O que é música com energia, viva? Metallica? Ou Nirvana? Ou Seu Jorge? E até que ponto isso não é inteiramente subjetivo?

Gosto não se discute.. o Lobão nunca passou da primeira fase do colegial quando a gente aprende a definir conceitos para poder comprar as coisas..

C'est-à-dire, não se troca kg por metros...

E o pior é que ele sabe disso. Mas se ele falar de música em termos de harmonia, melodia, dinamismo, arranjos, etc. coisa que ele conhece, sabe que não poderá falar o que fala.. Então fica fazendo papel de bobo da corte! Qual corte?

Randall disse...

O Lobão fala demais, na acepção da palavra. DEMAIS. Se falasse menos, acabaria saindo menos besteira. Ele já fez músicas sensacionais, levantou a questão para um problema gravíssimo e criou um terreno legal pra proliferar a "independência".

Acho que não teria porque recusar o contrato com a MTV.

Nelson Motta é o Papagaio de Pirata oficial da MPB, um bobão!

Acho que o Chico vai dar o devido desprezo a essa verborréia desses dois aí.

Grande abraço, Ganso!

Marcelo Nogueira Dutra disse...

Lobão conseguiu o que queria, no g1 são quase dois mil comentários.
E nós aqui dando bola para falastrão.

Até o Belém Neto deu as caras. E aí beteto, fazendo som? Postei no blog um vídeo d'eu fazendo Ive Brussel do BenJor.

Herbert Vianna usou deste artifício - falou mal de caetano - para promover o primeiro álbum do Paralamas. Tantos outros já fizeram o mesmo.

Globo, G1, G2, Luciano Trigo, Lobão, Nelson Mota vão ver se eu estou na esquina jogando uma pelada.

José Teixeira Neto disse...

Prezado "Pasmoessencial" e Lisandro,
vou tomar mais uma vez nessa tecla (mas não insistirei muito mais) porque creio ser este um pré-requisito para que o blog (ou qualquer iniciativa no campo das trocas de idéias que vise a agregar participação) prospere e se torne cada vez melhor. Temos de fazer um esforço sério de fugir do mero terreno das opiniões, por assim dizer, clubístico-emocionais. Vejam bem: Lobão emite a opinião pessoal de que "Chico Buarque é um chato", o professor Lisandro Nogueira vem e empata o jogo dizendo "Lobão é que é um chato", eu poderia desempatar acrescentando que "Chico Buarque é, sim, um chato, de galochas, porque não consegue fazer uma música, por mais lírica que seja, sem introduzir um toque de militância política ('Agora eu era o herói/e o meu cavalo só falava inglês'...)". No que isso iria dar? O blog faria uma enquete entre o público para ver quem tem mais desafetos? Ficaria parecendo o Orkut, em que proliferam grupos denominados "Eu odeio A" ou "Eu Odeio B". Pessoas civilizadas, o Lobão emitiu uma opinião pessoal e subjetiva. Ele não pode fazer isso? Ele pisa nos calos alheios toda vez que faz isso? Emitir opinião pessoal contra monstro sagrado é cometer crime de lesa-majestade? Por isso proponho: sejamos menos opinativos, menos passionais, menos clubísticos, menos ideológicos. Sei que é difícil eliminar de todo esses ranços (nem creio que seja necessário), mas façamos um esforço, com base em estudo, atenção, refinamento do olhar, por que não dizer, qualificação das emoções, para avançar no campo das idéias, da compreensão, e da união e amizade, evitando a busca do confronto, da delimitação de territórios, da luta pelo poder, enfim!

Lisandro Nogueira disse...

Caro Teixeira, penso o contrário. Para "qualificar as emoções" e fazer "juízo estético" devemos indagar se esse tipo de fala contribui para a formação cultural. Ao contrário ainda: não há passionalidade e sim uma "opinião pedagógica". Penso q. é fundamental separar o Joio do Trigo. Lobão é Lobão...e Chico Buarque (sua obra) é Chico Buarque.

Marina Morena disse...

Acho o Lobão um babaca. Ele fica criticando a Bossa Nova e o Chico Buarque, mas ele mesmo só fez merda na música. "Me chama" é a música mais deprimente do mundo, e ele ainda vem falar que a Bossa Nova é música pra dormir ? Ele é que não sabe cantar, e por isso não tem prazer em quebrar os tempos da Bossa, não deve nem saber o que é isso ...
Eu acho que todo mundo pode ter opinião e dizer o que quizer, mas antes de criticar uma coisa consolidada, ele deveria produzir mais e falar menos. Eu mesma não gosto de um monte de coisa. Aliás, não gosto muito mais do que gosto de muitas coisas na música, mas respeito.
O Nelson Mota é um mentiroso. Ele mesmo sabe que o Tim Maia só fazia merda. Mas era música pra povão, vendia pra caramba, todo mundo gostava. Todos nós gostamos. Mas ele sabe muito bem que quase tudo do Tim não tem conteúdo. E agora fica concordando com Lobão ???? MAS QUEM É LOBÃÃÃÃÃO ?????

Eduardo Horacio disse...

Lisandro, dizer que o Lobão é pior que o Chico é óbvio. Aliás, quem não é pior do que o Chico? Mas, como Chico Buarque, Lobão também tem suas contradições - e quem não tem? Pelo menos, por anos, Lobão fez o que Chico nunca teve coragem de fazer: enfrentou as gravadoras, denunciou-as, expôs a máfia dos jabás, a "máfia do dendê", fomentou um modelo independente seguido por muitos, lutou pela numeração dos discos e virou referência política na área musical. Depois, assinou um acústico MTV e caiu em contradição - grave contradição, por sinal. Mas pelo menos já estava forte para negociar em termos mais favoráveis para ele. E, pelo menos, tentou, tentou e tentou lutar contra as gravadoras, obtendo por um certo tempo boas vitórias. E Chico Buarque? O que Chico Buarque fez na luta contra jabás e gravadoras? Nada. Sequer tentou. E olha que Chico teria mil vezes mais fôlego, mídia e apoio da área para lutar do que Lobão. Faltou coragem, sobrou covardia. Então, neste ponto específico, Lobão dá de 1000 a zero em Chico. Lobão pode ser chato, mas tem seus méritos.

Rodrigo Cássio disse...

Eduardo Horácio: Politicamente, não penso que Lobão fez grande coisa. Muito barulho, e, no final, a redenção diante da poderosa MTV. Há um cinismo explícito: primeiro, o artista decadente posa de rebelde e ganha espaço no meio "alternativo". Depois, como este tal "alternativo" é pouco mais que uma fachada a fim de conquistar espaço na mídia, a grande indústria aproveita a fama do artista e o incorpora aos seus quadros.

O mundo alternativo que defende Lobão, em essência, é da mesma miséria artística (e política, se quisermos) que define a MTV e seus congêneres. O fato de que a última vez que Lobão fez música de boa qualidade tenha sido quando estava na pior, precisando se afirmar a todo custo, apenas prova o que digo. Depois de "A Vida é Doce", que, comercialmente, foi um tiro no escuro, Lobão se repete ad infinitum.

Uma pena, pois "A Vida é Doce" é extraordinário. Inclusive, serve para justificar a opinião de alguns comentadores aqui: Lobão sabe muito bem que Chico e Bossa são referências indispensáveis. O que ele diz por aí é apenas a manutenção da sua imagem de polemista, a la Diogo Mainardi.

Em suma, a jogada do Lobão não me parece de modo algum mais pertinente do que o "silêncio" de Chico Buarque (Mas Chico não fala em suas obras?). Chico Buarque é de uma geração que não está mais na ordem do dia. Uma geração que precisa, antes, meditar sobre a possível continuidade do seu projeto estético-ideológico, em vez de entrar de imediato no grande circo do espetáculo, que marca a quase totalidade do debate público na mídia. Lobão, politicamente, não vai além desse espetáculo. Melhor seria se calar, ou produzir uma arte mais elevada, como Chico sabe fazer, e que ele mesmo já provou ser capaz.

Lisandro Nogueira disse...

Caro Eduardo,
Chico Buarque lutou bravamente contra as gravadoras e a censura. Ele fez parte de inúmeras comissões e grupos relacionados aos direitos autorais. Talvez você não se lembre, no disco de 1981 (Almanaque) tem uma música sobre o "O dono da voz", que retrata a intriga com as gravadoras. Ele tb. viveu uma época dura, difícil e jamais foi covarde. Enfrentou inúmeras vezes situações complicadas. Hoje, aos 65 anos, ainda produz bons trabalhos e deixa-nos uma obra grandiosa. Volte um pouco na história: Chico Buarque sempre foi valente.

Rodrigo Magalhães dos S. disse...

A primeira e última vez que escutei Lobão, foi em um churrasco de colegas, quando os que gostam de sertanejo, decidiram conhecer algo diferente. Eu continuei do mesmo jeito, angustiado, extressado, entediado, indisposto a fazer qualquer coisa.
Quando li esta matéria, liguei o som, "Rosa dos ventos" de Chico Buarque, e aquela alegria tomou conta de todo o ambiente. Fiquei até com vontade de invadir a Rússia.

Rodrigo Magalhães dos S. disse...

Rodrigo Cássio, seria o Lobão o Diogo Mainardi da música?

Rodrigo Cássio disse...

Rodrigo Magalhães: Será? Acho que a nossa comparação pode ser exagerada. O Lobão já mostrou que tem talento. O Mainardi, no entanto...

Sobre isso, recomendo o dossiê no Luís Nassif, aqui: http://luis.nassif.googlepages.com

Eduardo disse...

Caro Lisandro: qualquer um sabe da luta política do Chico. Deixei bem claro que não era a isso que me referia - e, sim, à luta contra as gravadoras.

amocadofigo disse...

Para quem condenava o acústico...

Facilmente, na minha opinião, deverá voltar atrás e lançar um cd "versão de caetano por Lobão", mesmo com toda a pompa de alternativo e nada fã da "música de loja de departamento", como diria o Lobinho.

Não que tome partido de Caetano, não que eu seja contra Lobão. Ao contrário, o primeiro aprecio, e o segundo, me faz rir, às vezes.

Mas para fazer uma afirmação aparentemente tão certa de si, e depois voltar atrás [como ocorreu com o acústico], é preferível manter-se calado ou evitar o "nunca farei", "condeno quem...", já que argumentações não são apresentadas [como já postado aqui].

Anônimo disse...

Ola eu acho o chico buarque um chato.Nunca consegui escutar. O lobao, quando teener dei umas dancadinhas, na balada do som.

vamos dizer que no dialogo cultural pos-moderno nao ha lugar para o Pop e com ele tambem chico e Lobo!

Anônimo disse...

O Lobão é o maior HIPÓCRITA do Brasil!!!!!!!

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