terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Entrevista telegráfica com Cacá Diegues

Um papo rápido com Cacá Diegues (com as malas nas mãos)

Lisandro Nogueira

Entro em contato com o cineasta Cacá Diegues - diretor de filmes como Bye Bye Brasil, Deus é brasileiro, Chuvas de Verão. Com malas prontas para uma viagem de descanso, em pé, ele falou rapidamente com o blog:

1. Quais os diretores que te influenciaram diretamente?

O cinema me infleunciou como um todo. Toda a sua história. Minha geração foi marcada pelos cinemas novos, de intensa discussão. Faço cinema porque amo os filmes que eu vi, seria dificil fazer uma lista de todos eles. Mas gosto do Godard, Rosellini, Visconti e tantos outros.

2. Nos anos 80 você divulgou praticamente um manifesto contra "as patrulhas ideológicas". Elas ainda existem: tanto a direita quanto à esquerda?

As "patrulhas ideológicas" foram uma piada que pegou, portanto estava certa. Sempre haverá no mundo aqueles que pretendem cortar as asas do imaginário e da criação artísticas, só vai mudar o nome pelo qual eles serão conhecidos.

3. Você disse em SP. que os novos cineatas devem surgir da periferia das grandes cidades a partir da novas tecnologias? Ainda existirá espaço para um cineasta mais "restrito" como Julio Bressane?

Um coisa não elimina a outra. Uma novidade cnematográfica como essa não vai nunca extinguir os clássicos, como Bressane por exemplo. Em arte, as coisas podem sempre conviver, mesmo que sejam opostas entre si.

4. Você é torcedor do Botafogo e eu sou torcedor do Vila Nova(GO). São dois times quentes, de muita emoção. Ao contrário do Goiás e do São Paulo.

Como dizia o grande Lucio Rangel, eu não gosto de futebol... eu gosto é do Botafogo! E você do Vila Nova. Nada ocupará em meu coração o espaço da estrela solitária.

5. Eu penso assim também. Quase não vejo outros times: só gosto e acompanho o Vila Nova. Torço mais para ele do que para a seleção brasileira. Um abraço...

Até mais...e não esqueça que o Botafogo e o Vila Nova tiveram um grande jogador em comum: o Túlio. Um abraço e bom natal...

14 Comentários

Anônimo disse...

Caro prof. Lisandro,
Na entrevista faltou citar: quase Vila Nova e Botafogo se encontram na série B, e vocês dois, juntos, poderiam então assistir ao clássico. Germano Roriz

Herondes Cezar disse...

Mestre Lisandro, cumprimento-o por se lembrar das "patrulhas ideológicas", que são camaleônicas, adaptam-se ao momento, como frisou Cacá. Ainda me lembro da entrevista que ele deu a Pola Vartuck, crítica do Estadão. Seu tom era grave, de acusação mesmo, cuspindo marimbondos. Nem sombra desse fair-play com que ele tratou o caso agora. Creio ter sido em 1978, porque recordo que a turma do Cinelube Antônio das Mortes se reuniu na minha casa e fizemos uma leitura conjunta.

Randall disse...

Vila Nova e Botafogo tiveram um grande jogador em comum, que nunca teria existido se não fosse o Goiás!

Rodrigo Cássio disse...

Lisandro, o São Paulo é um time quentíssimo!! Além de tudo, é um time democrático. Foi o primeiro a aceitar estrangeiros e negros no seu elenco, em uma época na qual o mundo do futebol era bastante xenófobo e racista. Sabia disso? E salve o tricolor!! rsrs

Lisandro Nogueira disse...

Randall e Rodrigo: o "politicamente correto" é feio no futebol. O certo é: o Vila, Coringa, Botafogo, Flamengo...são times quentes; Goiás, São Paulo, Coritiba, Fluminense...são times frios. Os primeiros têm torcedores; os segundos têm espectadores. E agora vou esquentar a conversa... (rs. rs, rs): os primeiros têm alma, garra; os segundos têm Estrutura. Cacá Diegues tem razão: Vila e Bota: tudo a ver.

Lisandro Nogueira disse...

oLÁ Herondes, realmente hoje Cacá está mais tranquilo. As "patrulhas" sempre existiram. Naquela época, final dos 70, a coisa era feia. Tudo mudou? Não sei. O Fernando Gabeira foi um herói: aguentou e aguenta firme as patrulhas. O Cineclube Antonio das Mortes sempre foi muito patrulhado - pelo menos na minha época.

José Teixeira Neto disse...

Lisandro,

"quente" e "frio", "emoção" e "estrutura", "massa" e "elite", você, em seu íntimo, consegue conviver bem com tanto maniqueísmo?
Ou essa é apenas uma estratégia pessoal de sobreviver ao constante problema (não maniqueísta, e sim de realidade vs. fantasia) das vitórias e derrotas?

Lisandro Nogueira disse...

Ah, isso é apenas humor mesmo. Não é maniqueísmo e nem nada. Sem humor as coisas ficam piores. Mas sem dúvida: O Vila Nova é o mais quente e o único do centro-oeste que leva 33 mil pessoas no Serra Dourada. Uns têm alma, os outros...

Lisandro Nogueira disse...

Ah, Teixeira, os outros aí são São Paulo, Goiás, Fluminense. O Goiás é como um campo de golfe: verde, monótono, pouca platéia e com alguns buracos (rs, rs, rs).

José Teixeira Neto disse...

Lisandro,
tenho sido acusado de ter pouco humor, de levar tudo muito a sério. Gostaria que fosse lido com muito bom humor o que vou escrever abaixo.
A Música Popular Brasileira já formulou em versos definitivos o problema do ressentimento, da inveja, da frustração:

"Tire a sua felicidade do caminho, que eu quero passar com a minha tristeza!"

Desde os anos 60, quando passou a proliferar pelo mundo afora o modismo, primeiro, do estruturalismo, depois do pós-estruturalismo e, finalmente, do multiculturalismo, a beleza tornou-se uma ofensa, a qualidade um escárnio, ser bom é pisar os outros, a raça branca (e, dentro dela os homens não homossexuais) passaram a ser vistos como o câncer da humanidade, a cultura do Ocidente (e, dentro dela, a filosofia platônico-aristotélica, somada ao legado judaico-cristão) figura como o centro de tudo o que há de mau. Passou ao primeiro plano o culto do feio, do pobre, do indigente: só aí existia alegria. E com um bônus irresistível: poder ficar ao lado do Povo, da Massa, e aí poder despreocupar-se de ser bom, ser melhor, superar-se, herdar a tradição da humanidade e querer que o seu trabalho possa fazer jus à companhia dos melhores de todos os tempos. Sem ficar pelos cantos remoendo-se de inveja, de dor-de-cotovelo, inventando calúnias, apenas para consolar-se... E desculpas para não trabalhar com afinco, por décadas, em busca de seus objetivos mais elevados. O maniqueísta prefere alimentar a atitude tribal, dividir, criar conflitos e, no final, excluir, fomentar a inimizade, do que reconhecer que ficou do lado errado, pior, inferior. O que fazer? Contra isso, não é possível argumentar, apenas derrotar e deixar a má qualidade em seu lugar de justiça: no fim da fila!

Lisandro Nogueira disse...

Ah, Ah, Teixeira,. concordo com tudo q. você escreveu. Mas em futebol é possível um pouquinho de humor, não? Lógico que o Goiás é "melhor" q. o Vila Nova. Mas eu garanto que eles nutrem uma inveja danada do Tigrão. E eu não gosto de Golfe (rs,rs). Bom ano de 2009 para você, caro Teixeira.

Marco A. Vigario disse...

Aí não vale: o Botafogo é o segundo time de todo mundo. Eu mesmo tenho simpatia pelo time de Garrincha e Didi. O problema é a comparação com o Vila. A única coisa que Botafogo e Vila têm em comum é o "chororô". Buááááááááááááá... kkkk

Anônimo disse...

M. Aurélio, lembre-se: "Os últimos serão os primeiros" (rs, rs, rs).

José Teixeira Neto disse...

Lisandro,

você provou que tem humor, aqui no blog. Pois na vida, no trabalho, todo o mundo que convive com você sabe de sua propensão ao riso, à tirada jocosa. Mas o tom mais professoral necessário a um meio de comunicação como o blog empresta agressividade a certas formulações, que poderiam ser consideradas amenas na fala do dia-a-dia. É, portanto, necessário ficar atento à diferença de característica de cada meio, especialmente as que existem entre fala e escrita.
Mas, no caso do esporte, para seguir a lição dos ingleses, que criaram a maior parte das modalidades esportivas, em vez de humor, tenhamos "fair play", espírito esportivo, comportamento leal.

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