quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sukurov e Isabelle Huppert em Goiânia




Você quer ver bons filmes?



Pedro Vinitz*


As pessoas estão reclamando dos filmes em cartaz: são ruins e não chamam a atenção. É verdade!! Porém, tudo muda a partir de hoje, sexta-feira. A bela Isabelle Huppert em Saint-Cyr e o russo Sukurov, com Alexandra, balançam as telas de dois cinemas, o Lumière e o Cine UFG (cinema chique para muitos e muitos).

Um filme é francês e o outro é russo. Podemos apreciar duas línguas quase não ouvidas no Brasil. Estou cansado da língua inglesa. Gosto dos americanos e do seu cinema, mas vi um filme do Sukurov, Arca Russa, na mostra "O amor, a morte e as paixões" (essa mostra tem que voltar de qualquer jeito!). Fiquei extasiado, confuso e feliz. Quanta beleza num filme só!!! É um cinema diferente. Repleto de poesia.

Aqui se falou em Stalinismo (no post anterior sobre as modas intelectuais - rendeu até agora 48 comentários - ver lá embaixo). Mas quem sabe tudo sobre esse vexame da história (Stálin era cruel e gostava de cinema; Bush era cruel e gostava de cerveja) é mesmo o Sukurov
. Li que o cineasta é odiado pelos remanescentes do comunismo. Deve ser odiado também pelos capitalistas.

Lembrei de uma frase do Philip Roth, do livro do Lisandro (peguei na biblioteca dele e não devolvi e o Milordi disse que vai ler). Vou devolver depois. O livro "Casei com um comunista" é bom mas muito longo.:


"Tudo que os comunistas dizem sobre o capitalismo é verdade, e tudo que os capitalistas dizem sobre o comunismo é verdade. A diferença é que nosso sistema funciona porque se baseia na verdade do egoísmo humano, e o sistema deles não funciona porque se baseia num conto de fadas sobre a fraternidade do povo".

Ou seja, dou um pelo outro e "não quero nenhum tostão - grana - de volta".

Bom filme!!

* Pedro, 17, é sobrinho e crítico do crítico Lisandro Nogueira.

Alexandra



Celso Sabadin
*

Aos 57 anos, o russo Alexander Sokurov é um dos cineastas mais autorais atualmente em atividade neste mercado cada vez mais global. Seus filmes têm uma estética própria, de pouca ou nenhuma concessão comercial. São quase sempre “lavados” ou escuros, passando longe das fáceis cores fortes; de roteiros densos e intensos e uma utilização de música e som raramente ouvida no cinema. Moloch e O Sol, apenas para citar dois exemplos, parecem ter saído diretamente de pesadelos para o celulóide. Enquanto Arca Russa detém uma espécie de recorde mundial ao contar sua história em 99 minutos de um único plano-sequência.

Em seu novo trabalho, Alexandra, Sokurov é mais leve e menos experimental. Mas sem deixar de ser hipnótico nem de demonstrar seu talento artesanal. Em poucas palavras, o filme é o retrato de uma visita. Alexandra é uma mulher solitária que se dispõe a tomar um trem sem nenhum conforto, repleto de soldados, para visitar o neto, Denis, um oficial russo acampado em algum canto poeirento do mundo (que mais tarde se percebe ser a Chechênia). As primeiras cenas são de total estranheza.

Em meio a nuvens de poeira matizadas por uma fotografia árida e pálida, a figura da velha senhora tentando manter alguma elegância e dignidade no coração do rude ambiente militar é, no mínimo, perturbadora. Ao chegar no acampamento do neto, Alexandra toma contato com um novo e estranho mundo, ao mesmo tempo em que aproveitará a ocasião desta inusitada visita para – numa cena marcantemente bela – expurgar as mazelas de uma relação familiar conturbada.

O neto carinhosamente trança os cabelos da avó, segundos depois de uma violenta explosão de sentimentos há anos entalados na garganta. A russa Alexandra se torna amiga instantânea da chechena Malika, unindo duas emoções emolduradas por prédios destruídos e ocupações militares. A paz impossível para dois países é perfeitamente natural e imediata para duas velhas senhoras. Respira-se dicotomia a cada cena.

Tudo no estilo Sokurov de fazer cinema: sutilezas, detalhes, longos planos silenciosos, narrativa árida, sons estranhamente belos. Quem se deixar levar pelo estilo envolvente do cineasta certamente sairá do cinema recompensado.

* Celso Sabadin é crítico de cinema em São Paulo

8 Comentários

Pedro Vinitz disse...

Pessoal,
pega leve comigo! É meu primeiro post no blog do Lisandro. ps- sou contra o Goegle, a Microsoft e Putin, presidente
Russo.

Lisandro Nogueira disse...

Pedro,
Você ainda vai ser um crítico de cinema (rs, rs). Seja bem vindo!!

Rodrigo Cássio disse...

Pedro: Você só tem 17 anos?? rs
Está apoiado: precisamos novamente da mostra "O Amor, a morte e as paixões"! Era muito bom ver o Lumiére cheio, com a exibição de bons filmes, naqueles 2 ou 3 anos(?) em que ela durou.

mariana disse...

Pedro, Rodrigo, vamos iniciar um movimento para a volta da mostra "O Amor, a Morte e as Paixões". Era ótima. um abraço Lisandro.

Carlos Cipriano disse...

Eu sou a favor do retorno da mostra "O Amor, a Morte e as Paixões" no próximo janeiro.

Além de ser uma ótima mostra, acontece num mês paradão. Faz muita falta.

JÚNIOR disse...

Não concordo que há apenas filmes ruins em cartaz.
Sou suspeito para falar, pois, gosto de todo tipo de filme. Gostos à parte, posso afirmar, mesmo não tendo a mínima vocação para crítico de cinema, que os filmes que circularam nas salas de cinema de Goiânia nesses últimos meses agradaram a diversos segmentos de nossa sociedade goianiense. É verdade que obras de qualidade duvidosa também chegaram ao grande público.
Mas o que é o BOM filme?
É aquele que gera vultosa quantia em bilheteria, aquele que agrada a toda a famíla ou aquele que polemiza e pertuba o olhar humano sobre si mesmo.
que os bons filmes!!

Valeria disse...

"Alexandra" é um filme quase sem reparos. É realmente um dos melhores filmes exibidos em Goiânia nos últimos meses. Está em cartaz no Lumière.

Anônimo disse...

Fazia muito tempo que eu não me emocionava tanto no cinema. Chegando perto dos 60 anos, "Alexandra" me marcou pronfudamente. Seu sentimento diante da tragédia da guerra e da falta de percepção de seu neto sobre o sentido da vida, me tocou tanto que precisei permancer na sala de cinema durante um bom tempo após a exibição. (Maria Euci)

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