sábado, 22 de agosto de 2009

Espaço livre para opinião e debate

* Debate: O conceito de "Indústria Cultural" está ultrapassado? (sug.: Candido Cesar)

31 Comentários

Lisandro Nogueira disse...

Caros amigos,

O debate sobre o cinema brasileiro continua no post lá embaixo - após o comentário sobre o filme "Sinedóque".

Túlio Moreira Rocha disse...

Perro tá com uma programação na mostra paralela muito foda!
terça começa com Memórias do Subdesenvolvimento!

Luísa Cento Fanti disse...

O que é "Indústria Cultural"?

Indústria cultural (em alemão: Kulturindustrie) é um termo cunhado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), membros da Escola de Frankfurt. O termo aparece no capítulo Kulturindustrie - Aufklärung als Massenbetrug na obra Dialektik der Aufklärung (em português: Dialética do Esclarecimento), de 1947.

Neste capítulo os autores analisam a produção e a função da cultura no capitalismo. Os autores criaram o conceito de Indústria Cultural para definir a conversão da cultura em mercadoria. O conceito não se refere aos veículos (televisão, jornais, rádio...), mas ao uso dessas tecnologias por parte da classe dominante. A produção cultural e intelectual passa a ser guiada pela possibilidade de consumo mercadológico.(Wikipédia)

Edigar da UEG disse...

Com as novas configurações do mundo pós-moderno, esse conceito, muito importante até os anos 70, não é mais intressante.
Ele ficou datado e não dá conta das novas complexidades.

Marco A. Vigario disse...

Bom, nunca me aprofundei no estudo do conceito, mas li alguma coisa da Dialética durante a faculdade. Li também o Paulo Puterman ("Indústria Cultural: a Agonia de um Conceito") e algumas outras coisas que questionam o maniqueísmo dos frankfurtianos, que pareciam rejeitar em bloco a produção cultural das sociedades indústriais. Embora tenda a concordar mais com essa última corrente, não nego que o modo de produção econômico tenha impacto importante em questões como a autoria, por exemplo.
Ultimamente há, me parece, um movimento de revisão e sutilização do conceito. Aqui mesmo no blog às vezes vejo o Rodrigo Cássio falando sobre Indústria Cultural, mas com um viés mais aberto, reconhecendo as fissuras e tal... Então, há que se ponderar.

Rodrigo Cássio disse...

Olá,

Marco, esse interesse em revisar o conceito de indústria cultural, para o bem ou para o mal, não é propriamente um movimento. É antes um esforço de algumas pessoas que consideram o termo passível de ser atualizado, e, ao mesmo tempo, tomado em função de uma crítica do presente.

Cabe notar que a "Dialética do Esclarecimento", livro no qual surgiu o conceito, tem de fato uma abordagem totalizante, e não se dedica a possíveis nuances dos produtos da indústria cultural, como os filmes.

Mas há textos posteriores que ampliam esse horizonte. Adorno faz um franco elogio do cinema moderno em um artigo dos anos 1960 chamado "Tranparências sobre o filme".

Hoje a tendência é considerar a abordagem frankfurtiana completamente datada. Pra mim, isso não faz muito sentido. Basta ler o que dizem Adorno e Horkheimer, no prefácio de 1969 da "Dialética do Esclarecimento": a teoria não é a-histórica; deve acompanhar as mudanças e se servir delas, para continuar viva.

Em minha opinião, a indústria cultural nunca foi tão poderosa e opressiva quanto hoje.

Abraços.

Maria Euci disse...

Boa tarde!!

Ainda estou aprendendo a postar e fazer comentários (é estranho colocar seu nome em URL,(rs, rs).

Já ouviamos falar em "Frankfurt" e a sua famosa teoria no começo dos anos 60 - tenho um pouco mais de sessenta anos.

Realmente o mundo ficou muito complexo e nem todos os países viveram a "indústria cultural; outros ultrapassaram essa questão.

O conceito continua importante mas não é mais uma das únicas ferramentas para compreender as questões dos dias atuais. Nos anos 70 e 80 o conceito quase vira um dogma e Theodor Adorno não iria concordar.

Uma reflexão a ser feita por todos os que estudam as complexidades desse mundo pós-tudo.

Thomas Silva disse...

O que pensei escrever o Rodrigo Cássio escreveu: "a indústria cultural nunca foi tão poderosa e opressiva quanto hoje.".
Certas indústrias (comunicação, petrolífera, química, farmacéutica, 'chip de computador',...) e seus copyrights jamais experimentaram tamanho poder.
A indústria tecnológica de comunicação talvez seja hoje o primeiro e maior poder do planeta, e penso eu que a indústria cultural seja uma ramificação da indústria de comunicação.
É isso. (homenagem ao professor Pasquale)

* O filme Recordações de um Presídio de Meninos, de Lourival Belém Júnior não está disponível na CARA Vídeo como publicado aqui em postagem anterior.

Dica de assunto para algum outro Espaço Livre: O uso de "abreviaturas" no mundo digital. Ex. vc -> você; tb -> também, e etc.
É benéfico pois ganha-se tempo e espaço, é indiferente, ou o uso destas abreviaturas é um descaso com a língua?
Aproveito e já respondo: para mim é preguiça e uma certa "falta de respeito" com a língua e com o leitor.

Candido Cesar disse...

Prezados debatedores,

Encontrei-me com o prof. Lisandro no Cine Lumière e o fiz recordar do importante seminário sobre a Escola de Frankfurt organizado por ele. Lá estiveram meus professores saudosos: Nicolau Heck, Ralfh, Gonçalo Armijos, Adriano Brito e a professora da Faculdade de Educação, Anita Rezende.

Esse seminário, que durou uma semana, no final de 96 ou 97, teve momentos de muita exaltação com as ponderações firmes do prof. Armijos e o combate de alto nível entre os professores Adriano e Heck.

Naquela época, já tínhamos claro que a Teoria Crítica e os conceitos da famosa escola precisavam ser repensados. Foi o professor Heck que posicionou-se nesse sentido.

Pedi então ao professor Lisandro para colocar essa questão novamente em pauta. Agradeço a honraria, pois minha questão foi postada, e afirmo a necessidade de repensarmos Frankfurt e seus conceitos importantes mas não tão fecundos para os tempos que vivemos.

Li agora o pensador e filósofo, Luc Ferry, e vi a importância dos novos conceitos que emergem no pós-moderno para pensar a nova comunicação, o Ciberespaço. Não sei se aqueles conceitos de Frankfurt abarcariam essas novas problemáticas. Vale a pena ler Luc Ferry.

Rodrigo Cássio disse...

Caro Candido Cesar,

Parabéns por acender esse debate tão importante.

Penso que aqueles conceitos de Frankfurt ajudam, sim, a refletir sobre o mundo contemporâneo. Há alguns autores alemães de hoje referindo-se à “indústria cultural global”, como a faceta assumida pela indústria cultural em tempos de globalização.

Bem, esses autores ainda não foram publicados no Brasil, apesar de que os livros do Habermas estão saltitando em todos os cantos.

Mesmo na ampla e nebulosa seara da teoria pós-moderna há aqueles que, de algum modo, desdobram as teses frankfurtianas. Baudrillard, Deleuze ou Guattari, por exemplo, são autores ocupados com o tema da subjetividade na sociedade de massas. Muitas vezes, concluem de modo semelhante a Adorno/Horkheimer.

Há uma boa dose de modismo em decretar a “indústria cultural” um conceito ultrapassado. Hoje se lê muito Hannah Arendt sobre a perda de sentido da política e a redução do Estado a um prestador de serviços. Mas essas são noções que estão lá na “Dialética do Esclarecimento”: o mundo administrado e o desaparecimento da política está no cerne do mundo regido pela indústria cultural. No mínimo, Adorno é tão relevante para a atualidade quanto Arendt.

Em todo caso, não deixa de incomodar que, no Brasil, questionamos a superação de teorias “antigas” sempre com o olhar voltado para as teorias “novas”, produzidas lá fora. Se nos sentimos capazes de julgar o valor atual de uma corrente de pensamento, por que não usamos esse mesmo esforço para pensarmos nós mesmos os conceitos, avançando a partir do que aqueles autores escreveram?

Abraços.

Gonzalo disse...

Agradeço a menção feita a mim e aos meus colegas. Deixa-me feliz ser lembrado por defender posições firmes e, mais ainda, quando vejo que, justamente, o que se faz em espaços como este é não se limitar a interpretar os clássicos, mas levar as discussões a novas dimensões, pensando-se a realidade em que estamos inseridos. Aproveito para lembrar a todos que a cidade de Goiás, na qual estou morando, e o campus Cidade de Goiás, são espaços abertos para a discussão de assuntos como o presente. Poucos dias atrás ocorreu o evento "Eu Penso", no qual jovens filósofos e filósofas defenderam suas próprias teses e apresentaram seus próprios problemas. Convido, portanto, todos a discutirmos questões de arte e filosofia nesta bela cidade.
Abraços

Tatiana Cristina disse...

Creio que o termo Indústria Cultural, não esteja ultrapassado, pelo contrário acredito que ele esteja mais vivo a cada dia, e se mostrando em nossa rotina. Afinal a Indústria Cultural, é responsável pela produção cultural em série ou industrializada. Produção essa, feita por uma classe diferente da que vai consumir.
E não precisamos ir muito longe para constatar isso, é só olhar ao nosso redor; em nossa estante livros, DVDs e CDs, em nosso guarda – roupa, em nossa garagem, e etc...

Mas mesmo assim para aqueles que não acreditam, vou citar um exemplo; a Indústria Cultura é parceira do sistema econômico denominado Capitalismo, ao qual estamos submetidos, e a união dos dois contribui e muito para formar um indivíduo que não pensa, e só consome, ou seja, uma criatura forjada para o consumo. E o que somos hoje?

Existe uma destruição completa da identidade das pessoas, todos são iguais e gostam das mesmas coisas, mas a culpa não é nossa, fomos feitos para ser assim, para que o sistema tenha sucesso. Somos resultado de um sistema que domina há muitos séculos. O homem não é mais considerado como um ser pensante, e sim avança a cada dia para logo logo ser considerado uma coisa.

A cultura, no dias de hoje, não tem mais um papel reflexivo sobre os seres humanos, ela é um produto de consumo, que obviamente é controlado pela porção dominante. E assim como os seres humanos não têm uma identidade própria, pois nos foi tirada a capacidade de nos rebelar contra qualquer tipo dominação, nos submetemos. Ficando assim cada vez melhor para o sistema econômico, porque ele venderá cada vez mais. E o que ele quer que nos compremos, pois nem o poder de escolha temos mais. Isso é preocupante e desesperador, pelo menos para mim.

Outra coisa que está me preocupando muito, fora o processo de “coisificação do homem”, e que a produção cultural está perdendo sua aura cada vez mais rápido, porque há muitos anos são produzidas massificadamente, tirando-lhes assim o valor que merece. Mas isso é tema para um outro debate.

È assim que penso.

Kátia -filosofia-ufg-88 disse...

Os comentários deste post estão bons, muito bons. Não entendo bem o conceito mas aprendo bastante. Saudades do prof. Armijos.

Valéria Borges disse...

Prof. Lisandro,

A pergunta vai de encontro ao seu texto sobre os modismos: não há dúvida que o conceito é atual. O problema é que o mundo acadêmico vive dos fashions (modas) e isso é a prova maior da permanência e importância do conceito.

Obs.: existe situação que exemplifica melhor a industria cultural do que esse Nome/URL ou a necessidade de ter uma conta no Google?

Paulo Emilio disse...

Tatiana,
Mais uma bela reflexão hein!?
Aproveitando o conceito de "coisificação" do homem submisso, compartilho um vídeo da música Do The Evolution de Pearl Jam. O vídeo aborda exatamente essa "coisificação" que a Tatiana tão bem refletiu. A música é um pouco pesada para alguns mas a mensagem é interessante. Do The Evolution - Pearl Jam. Ou no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=bsWgRl64goU

Tatiana Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana Cristina disse...

Paulo Emílio, obrigada!

Gosto de Pearl Jam, e músicas pesadas. Escutarei, e lhe passarei o veredicto o quanto antes.

A propósito, esse conceito de coisificação, pode ser melhor estudado, no livro da professora Ana Carolina Rocha Temer, da UFG, Para Entender as Teorias da Comunicação, entre as páginas 80 e 90, se não me engano. Vale a pena conferir!

Tatiana

Anônimo disse...

Quer exemplo melhor de Indústria Cultural? "Igreja" dona de um canal aberto de televisão.

Ana Carolina disse...

Tatiana, agradeço muito a menção ao meu livro e espero que possa realmente ajudar quem quiser compreender melhor o conceito. Até porque entendo que o conceito de Indústria Cultural está diretamente ligado ao conceito marxista de alienação. Assim, ao invés de perguntarmos que o conceito de Indústria Cultural está superado talvez fosse melhor indagarmos se o próprio marxismo está superado. E aí, o que vc acham?

Tatiana Cristina disse...

Eu acho ótimo!
E acredito totalmente, que a Indústria Cultural tem relação com o marxismo.

Ana Carolina, seu livro é ótimo, e me foi no começo do ano, e é muito útil no meu dia a dia de estudos até hoje. O tenho como uma espécie de dicionário.

Abraços...

Tatiana

pollyana disse...

Arrepiei com os cometários!

Valéria Borges disse...

Oi amigos,

Não entendi bem o posicionamento da professora Ana Carolina: a senhora está afirmando que o próprio Marxismo que está superado?

Não penso assim, de qualquer forma.

Anônimo disse...

As três melhores formas para entender o marxismo: compreender o capitalismo, comprender o século XX e compreender a cibercultura.

Anônimo disse...

Prezado Lisandro, tudo bem?
Adorei o filme "Sinedoque, Nova York";
Adorei tambem Seus comentarios / analise;
E como diz o Joao Fantini, o final do filme é um soco no estomago;
Abracos,
Laerte

Candido Cesar disse...

Prezado Rodrigo, obrigado por responder meu comentário. Não tive como responder antes. Eu acho que não é mais possível observar o mundo de hoje da comunicação com o conceito dos anos 40 do século XX. Nesse sentido que eu disse que ele está ultrapassado. Como avaliar as questões tão complexas de hoje com um conceito pré-segunda guerra? É, nesse sentido, que não vejo os motivos para utilizá-lo.

Muito obrigado por debater comigo.

Rodrigo Cássio disse...

Caro Candido Cesar,

O tempo do mundo e o tempo dos conceitos nem sempre é o mesmo. Em todo caso, o conceito que estamos debatendo foi elaborado na mesma época em que a II Guerra Mundial dava mostras do seu poder de reconfigurar o mundo em diferentes instâncias - políticas, culturais, subjetivas, etc. Ele não é "pré", mas hodierno em relação a esse fato histórico.

Tanto é que na "Dialética do Eclarecimento" há extensas considerações sobre o anti-semitismo. Do mesmo modo, o Instituto de Pesquisa Social (a origem da "Escola de Frankfurt") foi perseguido, na Alemanha, em virtude da sua posição intelectual contra-ideológica em um contexto de ascensão do nazismo.

Mas importa mesmo, aqui, o que você chama de "complexidade" (lembrei do Edigar, da UEG, que também gosta de citar esse termo, aqui no blog, para confrontar perspectivas supostamente "ultrapassadas"). Essas complexidades estão no mundo problematizado ou nas teorias que o problematizam? Será que as ditas complexidades contemporâneas permitem mesmo esse descarte de conceitos?

Creio que só podemos responder a isso quando vamos diretamente aos textos, a fim de observar os limites e potencialidades de um pensamento dos anos 1940 para os dias de hoje. A meu ver, muitas das "complexidades" de hoje foram previstas nos anos 1940 por autores alinhados à crítica da cultura praticada por Adorno/Horkheimer, inclusive, é claro, eles próprios.

Nesse ponto, sobre a provocação da Profa. Ana Carolina, eu diria que a pergunta sobre a relevância atual do marxismo só faz sentido quando uma outra pergunta, sobre a relevância do capitalismo, deixa de ser importante. É sintomático que hoje questionemos o alcance de termos como "indústria cultural" e "alienação", enquanto a indústria cultural propaga tranquilamente uma ideia de liberdade individual atada à sociedade de consumo, e sem a qual esta não poderia existir. Penso que é a noção de liberdade individual que está datada - ela só era possível, de algum modo, antes do capitalismo tardio, ou seja, antes da indústria cultural.

Logo, eu perguntaria, não sem levar em conta a crescente desigualdade econômica em todo o mundo: o liberalismo não está superado?

Abraços.

Luiz Signates disse...

Depois de muita insistência do Lisandro, enfim consigo visitar o seu famoso blog... eheheh
Mas, só vou comentar a questão da indústria cultural hoje à noite.
Abraço grande a todos e parabéns pela qualidade do debate.

Lisandro Nogueira disse...

Prof. Signates:

Vamos ao debate: não há insistência e sim um convite para um bom debate. Isto porque, esse tema sempre foi objeto das discussões na Faculdade. Vamos aguardar sua opinião.

Anônimo disse...

Luis Signates, escreva logo sua opinião, ela é sempre MUITO IMPORTANTE!!

Tatiana Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana Cristina disse...

Paulo Emílio , eu adorei a música. Muito bem feita, e realmente tem tudo a ver com a Indústria Cultural.

abraços...

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