quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caetano Veloso, entrevista.....

As últimas de Caetano Veloso.....

Cantor e compositor baiano  fala sobre Brasil, violência, eleições...
Sonia Racy, de O Estado de S. Paulo



 -  'Sempre achei que o Brasil é um país com destino de grandeza e uma originalidade fatal', diz o cantor e compositor Caetano Veloso. Foto: Fábio Motta/AE

RIO - À exceção de alguns momentos mais incisivos, Caetano Veloso deixou claro, na entrevista ao Estado, semana passada, na sede da Natasha Produções, no Rio, que a maturidade lhe subiu à cabeça. Uma boa sabedoria emerge, fácil, da sua tranquilidade interior. O posicionamento rebelde do início da carreira, que às vezes assumia as cores da esquerda, deu lugar, hoje, a um discurso racional, realista. Que nada tem, no entanto, das desilusões de quem perdeu a esperança - e isso transparece, com força, quando anuncia sua opção pela candidatura de Marina Silva. "Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem."

Sobre as mudanças propostas na Lei Rouanet, Caetano se esquiva: " Eu sou daquelas moças... não estudei direito", diz o artista que, na era da tecnologia, não usa sequer o celular, não gosta do Twitter, mas se comunica sempre por e-mail.

E cadê as novas pessoas com a força do talento de um Caetano, um Gil ou Chico? O mundo hoje é de gente pré-fabricada pelo marketing e meios de comunicação? Nada disso. Para Caetano, houve uma mudança tecnológica imensa e também desdobramentos históricos. "Fico me perguntando: aqueles pintores que ficaram famosos, foram mais sagazes em seduzir príncipes ou reis, ou eram mesmo os mais talentosos? Ou foram os que combinaram melhor as duas coisas? Ou os que tiveram a sorte de encontrar um príncipe que gostou deles? A diferença hoje passa por outros canais." E isso é bom ou é ruim? "Nem bom nem ruim, é o que é."

Caetano volta a São Paulo amanhã - por três dias - para seu show Zii e Zie, no Citibank Hall. Que depois, em 2010, transformará em turnê internacional: março pela América Latina, abril nos EUA, julho Europa e talvez Austrália e Ásia em setembro. Só ao final dele é que pensará no futuro de seu futuro. Aqui. trechos da conversa.

Como você vê o Brasil?

Acabei de ler no New York Times que, possivelmente, o Brasil é o País mais importante do mundo para o qual estão voltados todos os olhos do mundo. Não que o artigo todo seja a favor, é até crítico e contra. Mas parte do pressuposto de que o Brasil é um êxito histórico aos olhos deles, estrangeiros, muito maior do que a gente imagina. Partem do pressuposto de que o Brasil é algo grandioso e falam justamente sobre as provas de que o País não superou o que há de horrendo nele. Se referindo à derrubada daquele helicóptero por traficantes no Rio, à violência, e a uma passividade do Brasil em relação às finanças internacionais, como que dizendo que o País deveria liderar uma virada nessa questão.

E você, o que acha?

Sempre achei que o Brasil é um país com destino de grandeza e uma originalidade fatal.

O que é uma "originalidade fatal"?

Somos um país de dimensões continentais, cujo povo fala português nas Américas, com uma população altamente miscigenada... São muitos fatores estranhos... O português é considerado assim o "túmulo de espírito". O próprio padre Antonio Vieira disse isso da língua. No entanto, essas desvantagens apontam para uma originalidade enorme, que a gente pode ou não aproveitar. Então eu gosto, por exemplo, de uma entrevista do (ex-ministro) Mangabeira (Unger) no Estadão sobre a Amazônia, em que ele diz que o Brasil devia fazer dela uma experiência de vanguarda tecnológica e de desbravamento de atitudes com relação ao desenvolvimento sustentável. Uma coisa de grande ambição, experimental. Acho que essas visões é que apontam para a verdadeira vocação do Brasil. É assim que eu penso. E olhe que minha candidata à Presidência é Marina Silva.

Você já escolheu?

Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem. Mas olha, eu concordo com o Mangabeira sobre a vanguarda tecnológica e o desbravamento. Parece uma contradição? Mas é assim.

Talvez não seja. Em nenhum momento o Mangabeira fala em destruição, em uso não sustentável...

Não sei se a Marina diria dessa forma. E acho que há, sim, uma tensão da posição dela em relação à de Mangabeira, embora ela seja a minha candidata. Se ela for, voto nela, com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade. E, no poder, seja mais pragmática que Lula. E mais elegante, o que já é.

A Marina teria condições de gerir um país deste tamanho?

Acho que ela é muito responsável e muito sensata. Se empenhar as energias para ganhar e se tornar capaz disso, ela levará a sensatez ao ponto de poder gerir. Suponho que agora ela não parece ter essa capacidade, com as coisas como estão.

Serra faria um bom governo?

Pode fazer. O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia de direita. E ouve os conselhos de Delfim Neto, que o Serra não ouviria. O Lula foi mais realista que o rei. Foi bom, a economia deslanchou.

E Dilma?

Não tenho ideia. Ela tem um trabalho de pura gestão, mas sem experiência de poder político direto. Ela nunca foi eleita a coisa nenhuma.

A Marina tem?

Ela tem. Os candidatos são todos de nível bom. Vou falar em Aécio, de quem eu gosto muito. Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio. E a Dilma talvez ficasse muito presa ao esquema estabelecido de ocupação dos espaços estatais pelo governo do PT.

Qual a função do Estado no processo de desenvolvimento?

Não tenho uma ideia precisa. Simpatizo muito com a tradição liberal inglesa e anglófona. Mas não me identifico plenamente com a ideia de Estado mínimo, de liberdade para as transações.

Antes da crise econômica, você era a favor do Estado mínimo?

Não. Eu tinha uma certa raiva daquela onda de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, embora simpatize com o liberalismo de língua inglesa. Sempre me vem à cabeça a ideia de que a Margaret Thatcher estaria dizendo algo do tipo "eu privatizaria o ar, se pudesse..." Acho que ela chegou mesmo a dizer isso, pelo menos corre a lenda a respeito. E quando eu vejo essa gente dizer que a única coisa que deve mover as pessoas é o desejo de lucro tenho vontade de me agarrar em São Francisco de Assis, entendeu?

O Estado tem que mexer na Lei Rouanet?

Não sou muito bom nesse negócio. Sou como umas moças que eram bonitas e apareciam nuas nos filmes, e tinham de ter uma opinião política. Eu sou assim. Não sei se tem que mudar. Fico com pena do leitor de jornal, quando sai assim "a excursão de tal cantora foi recusada", ou "foi aprovada", ou ainda "pode captar". Para música popular, o máximo da captação é 30%. Mas 30 % de quê? O público lá sabe o que é isso? Para música clássica, pode chegar a 100%... Mas repito: eu sou daquelas moças... não estudei direito.

Mas voltando ao Estado brasileiro, ele é eficiente?

Meu pai foi funcionário público, dedicadíssimo à sua função. Embora estatísticas provem o contrário, ele contrariava as estatísticas. Então eu tenho uma ideia de que o serviço público pode ser amado, a pessoa pode dar todo seu sangue àquilo. E que não apenas o lucro capitalista é a única motivação.

O Estado deve ser um regulador...

Justamente, a ideia é essa. Que ele seja o regulador do equilíbrio de forças. Os governos têm de se submeter à lei, para estar representando o Estado.

Mas é o problema: cumpre-se a lei?

Não, muitas vezes não. Mas esse negócio de Estado muito forte não me atrai. Acho que ele tem de ser firme, mas não tem de ser um Estado de força. A lei tem de ser nítida, obedecida por todos, em primeiro lugar por quem manda. Ele não tem de se meter, tem de regular, para criar um equilíbrio. Agora, é preciso saber se os seres humanos têm essa saúde mental para querer que as coisas funcionem assim. A vida é complicada, dolorosa, difícil, as pessoas na verdade vão para atitudes muito irracionais... Sabe quem eu acho que tem o discurso mais interessante sobre como a gente, em coletividade, se comporta e como é complicado ter esperança? Freud. Acho que Freud fala de modo mais interessante sobre possibilidades do homem como ser social, do que os marxistas e do que muitos liberais. Pessoas não podem ter esses poderes enormes.

E o que acha da América Latina? No que ela está se transformando com pessoas que têm esses poderes enormes?

Tem uma recaída num negócio que é tradicional aqui, a figura do líder populista - uma linha demagógica liderada por Hugo Chávez. Mas o interessante é que Lula tem um papel bem diferente disso. Lula é um grande líder populista, mas é mais pragmático - mesmo com essa euforia em que entrou desde a posse até hoje. Ter tido Fernando Henrique e Lula em seguida é um luxo. Saíram melhor que a encomenda, ambos.

O Rio tem um desafio, de se pôr em ordem até 2016. Vai dar?

Ele tem de conseguir alguma coisa. Eu li na semana passada, no The Economist, que um dos agravantes para o Rio é o relativo igualitarismo da economia do tráfico. A revista não dá ênfase à derrubada do helicóptero, falam é da economia do tráfico. Que os drug lords do Rio não têm aquela vida de carrões, dinheiro, mulheres... diferentemente do resto da sociedade, onde as diferenças são abissais. A gente devia atentar pra isso.

Algum dia pensou em se mudar?

Não, nunca.

A violência o assusta?

Sempre assusta, até em filmes. Mas não vivo com medo.

As pessoas perderam a capacidade de se indignar?

Não acredito muito nisso. Hoje as pessoas aceitam a violência, o Congresso com essa corrupção toda... O povo não é tolo assim. Hoje há mais exposição dessas coisas. . Então não é que as coisas mudaram, é que elas vieram à tona. Suponho que o povo percebe. Passei um ano no Rio e vi como eram as coisas, não se pode dizer que era melhor. E não se falava muito do assunto. Ele apenas veio à tona. Mas olha, vir à tona é uma melhoria.

Como você se relaciona com a tecnologia?

Sou um pouco parcimonioso. Por exemplo, não tenho celular. Nunca tive. Vivo como se estivesse em 1957. Sei que o celular veio bem depois, mas eu ajo com relação a isso como se fosse 1957. Escolhi esse ano porque é um ano que eu gosto.

E o Twitter?

Twitter não. Eu gosto muito de e-mail.

* Entrevista publicada no jornal Estado de São Paulo - 05/11/2009

39 Comentários

Maria Euci disse...

A entrevista com Caetano eu já tinha lido no Estadão. Ele quanto mais velho mais interessante fica. Discordo do apoio a Marina Silva. Voto em Dilma. Gostei do resto da entrevista.

Jorge disse...

Nos deparamos aqui com a velha mania de perguntar sobre tudo a Caetano Veloso. E ele, como de praxe, exercita a mania de responder. Um artista do seu nível não deveria ser procurado pela imprensa apenas quando lança discos ou quando jornalistas médios estão sem pauta. Essa entrevista não tem a menor razão de ser. Caetano é artista, não intelectual ou sociólogo. Pena que ele não tenha percebido isso.

Blog da Confraria disse...

Eu gostei da entrevista, porém prefiro o Caetano artista, quando ele se intromete na política, so fala besteira.

Raisa disse...

Marina Silva é por demais conservadora. É contra a legalização da maconha em uma época em que até Fernando Henrique Cardoso apoia sua liberação; é contra aborto até em caso de estupro. Ela é religiosa em excesso, e acredito que não fará jus à laicidade do Estado.

Anônimo disse...

Esse tipo de comentário imbecil e preconceituoso só pode partir de uma pessoa despreparada, que infelizmente é nordestino e baiano, mas que vive com conceitos sulistas. E digo mais, ele é um verdadeiro burguês frustrado que não se conforma com o fato de um nordestino, ex-retirante e ex-torneiro mecânico se tornar democraticamente o Presidente desta Republica Federativa

Candido Cesar disse...

Caetano é preparado e tem opinião própria. Não é ufantista e nem um deslumbrado com o neo-populismo estilo Getulio Vargas.
Não concordo quando ele apóia MariNa Silva.

Alfredo disse...

Como Caetano, apesar de não concordar com ele em muita coisa, caminha lúcido para a velhice. É corajoso, não tem medo do que os outros vão pensar. Eu não voto na Marina e nem sei em quem vou votar. Entretanto, ele nos alerta para o entusiasmo exagerado e questiona a euforia populista em torno de apenas uma pessoa. O Brasil precisa construir uma sólida democracia e devemos elogiar e dar continuidade ao projeto FHC-LULa, desde 1994.

Zeca disse...

Era o que estava nos faltando para completar a saga do dia dos mortos, iniciada pela perambulação do FHC nas páginas da mídia com um papiro que ele trouxe do além. Agora é a vez do moribundo Caetano Veloso, numa típica declaração de quem não tem idéias para debater e mesmo assim se acha o supra-sumo da cultura mestiça, chamar o Lula de analfabeto. Caetano, cai na real, você hoje é uma chama esmaecida daquilo que um dia foi o sol da tropicália; do poeta que um dia quis aproximar o seu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo. Só mesmo os hermetismos pascoais, e os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvam, nos salvarão dessas trevas, pois no que depender da caricatura pós-moderna e retrógrada que você se transformou, não teremos mais do que o tolo e sôfrego discurso oportunista de quem não pode prescindir da próxima novelinha global para divulgar o seu sonzinho cabeça. Caetano, esse papo teu tá qualquer coisa. Você já tá prá lá de Marraquesh meu caro. Mexe qualquer coisa dentro doida e deixa a gente festejar o Brasil em paz!

Anônimo disse...

Quem será esse tal de "Zeca"? Só dá para saber uma coisa: é alguém que, quando contrariado em suas opiniões, prefere desqualificar quem o contrariou a parar para pensar na possibilidade de haver razão naquele pensamento contrário. Para ele, é melhor que um dos maiores poetas e pensadores da cultura brasileira seja apenas uma "chama esmaecida", "moribundo", que encarar a realidade de Lula ser não um ignorante, e sim um propagandista da ignorância, que se jacta de não ter precisado estudar, para "subir na vida", que confessa "ter azia ao ler jornais". Mas deix'ele! Esse tal de "Zeca" (???) apenas quer continuar "festejando" o Brasil da ignorância, do namoro com ditaduras, com a ameaça de autoritarismo em paz. Descanse em paz!
José Teixeira Neto

Suzi Maia PUC-GO disse...

Gente!! Os magoados e infelizes sempre têm inveja do Caetano...

Polly disse...

Essa entrevista não tem razão de ser!

Maria Euci disse...

Polly, você é intelignete e eu te acompanho aqui. Toda entrevista tem razão de ser. A não ser em regimes fortes de grande censura.

Discorde de Caetano, é o seu direito. Mas não fale em censurá-lo.

Anônimo disse...

Amigos, aprendam com os poetas. Caetano só quis falar no plano dos símbolos! Disse: Marina Silva é melhor que Lula como símbolo, não como presidente. Quando um povo quer celebrar a força cria um símbolo como Hércules; quando quer celebrar a inteligência, cria Ulisses; a beleza, Afrodite. O que celebramos com Lula? O sofrimento, sim! A ascensão social, sim! A esperteza, sim! E a ignorância, o culto da ignorância, sim!!! O desprezo pelo brilho intelectual, sim! Por isso, é tragicômico intelectuais cultuarem (como símbolo) um "operário" que despreza intelectuais enquanto tais (claro que Lula gosta de ser bajulado por intelectuais, deve até preferir que o saco seja puxado por um deles). Por isso, sem votar em Marina, vejo-a, alertado por Caetano, como um símbolo mais elevado que Lula. Ela alfabetizou-se aos 14 anos, não parou mais, fez faculdade, porque faculdade era e é importante para um povo!
Com Marina, podemos simbolizar não a esperteza, a malandragem (Lula negociando o fim da greve com os patrões), e sim o esforço, o aprendizado, a articulação do próprio pensamento!
Por isso, releiam esta poesia:

"Um Índio"

Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul
Na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do Afoxé Filhos de Gandhi
Virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do Afoxé Filhos de Gandhi
Virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

José Teixeira Neto

Rodrigo Cássio disse...

José Teixeira,
A meu ver, Caetano apenas reverberou o senso comum, dizendo que Lula é cafona, analfabeto e não sabe falar. Essa é exatamente a imagem negativa do presidente que as classes dirigentes egocêntricas gostam de emoldurar. Assim elas evitam uma outra dimensão, que é positiva, de um presidente que tem um compromisso histórico com as classes desprivilegiadas.

Acho complicado admitirmos que, na política tal como ela é, hoje, os símbolos possam representar as aspirações autênticas de um povo. Eu diria que a permanente construção e desconstrução dos nossos símbolos é que dá a ver o sentido vigente da política. Discutir o valor dos símbolos é deixar se vitimar pelo enlace publicitário: melhor seria questionar as possibilidades de mudança, os projetos efetivados ou não.

Do mesmo modo, avaliar os candidatos apenas pela via das identidades e da moral é um dos motivos do nosso estado atual de profunda AUSÊNCIA de verdadeira política. E daí se Obama é negro? A vitória simbólica da sua eleição não vale nada se ela não instigar uma experiência política realmente diversa da que marcou os EUA sob o mando de Bush Jr. e sua corja.

Lula não é apenas anti intelectual. Vocês já viram o trailer do filme biográfico sobre ele? Lula é construído também como um típico herói liberal; um indivíduo que venceu, superando todas as dificuldades; um sujeito virtuoso e cheio de méritos! Para ser presidente, Lula tem que ser tudo aquilo que a ideologia dominante prescreve. No fundo, Lula é uma imagem. Pura imagem, como todo ser público, seja um político ou um ex BBB, seja um famoso qualquer.

O nosso neo populismo é estrutural, e não é assim tão novo. Ele não depende de Lula nem de Chávez. Inclusive, os supostos dotes ou defeitos da candidata Marina Silva podem ser igualmente inseridos em um discurso de viés populista. O próprio Caetano acena para isso, desejando que Marina Silva seja MAIS pragmática que Lula. O povo, hoje, não é mais o povo do nosso pai Getúlio Vargas, ansioso por direitos trabalhistas e por uma vida digna nas metrópoles industriais. Na era do capitalismo ultra tecnológico, o pragmatismo, sim, é grande meta! Ser pragmático e empreendedor é o grande desejo de um povo que, no entanto, tem seus laços de sociabilidade afirmados muito mais pela mídia do que pela partilha consciente de um comum.

Se o Caetano tivesse entendido aquela ironia do Zizek sobre o café descafeinado (ver um post anterior), teria um olhar mais aguçado. Mas Caetano gosta mesmo é de julgar antes de meditar, ou então não gosta verdadeiramente de meditar, preferindo parecer um intelectual, em vez de sê lo. E aí, de fato, torna se um falante descartável (apesar de ser um músico indispensável!).

Manu Chelo disse...

Caetano, por qué no te callas? Vai cantar. Sei gritar hein!

Polly disse...

Oi Maria Euci,
Olha, minha intenção qdo falei q a entrevista nao tem razão de ser, nao foi de censurá-lo. Só achei desnecessaria, entende?!
Acho q se ele quiser falar que fale, eu vou ler e pronto.
Realmente Maria, toda entrevista tem razao de ser, talvez eu tenha me expressado mal.
Só achei chato ler o Caetano falar de Estado!
Um abraço,

Anônimo disse...

Prezada Maria Euci,
Votar em Dilma é bom para "esse país"?
Se puder esclacecer....

Luiz de Aquino disse...

Inicialmente, as pessoas devem assinar suas opiniões. Isso de anonimato não é bom.
Olha, outros já disseram aqui que Caetano é "apenas" um artista, não é intelectual, não entende de política e tem a péssima mania de responder sobre tudo (ainda que entenda de pouca coisa). Realmente, ele tem uma vocação para a polêmica, mas a boa polêmica é a acadêmica, aquela que traz temas para a mesa de discussões sem o ranso da má educação, do despreparo (que Caetano vê em Lula, chamando-o de analfabeto). Caetano, sempre que fala em política, devia ser convidado a cantar mais. Ou compor mais. Dizer que Lula é cafona e analfabeto é jogar pedra do seu próprio passado, Caetano! Nós, os da sua geração, lembramos bem do seu modo de vestir quando o sucesso era seu parceiro constante.
Tenho muitas ressalvas a Lula, mas dizer que ele é analfabeto é faltar com a educação mais elementar. Dizer que ele é despreparado é contradizer a realidade (o que incomoda é justamente o fato de ele ser bem sucedido no goveno). Nenhum "letrado" dentre os que criticam Lula dessa forma conseguiria o sucesso que ele teve, após muita perseverança, elegendo-se presidente e desfrutando da popularidade atual.
Tenho ressalvas também a Fernando Henrique, a Collor e a Sarney. Aos militares, tenho-as de sobra! Mas sei reconhecer valores em todos eles, apesar dessas ressalvas.
Quanto a Marina Silva, vejo-a como uma mulher valorosa, dotada de valores respeitáveis, mas com limitações para o cargo mais importante do País. Mas a gente pensava isso também de Lula...

Luiz de Aquino

Riccardo Joss disse...

Quando Caetano votava no Lula, era legal ser analfabeto, era legal o 'companheiro' Gil ser ministro e outras bobagens. Agora o correto é votar numa mulher só porque ela é cabocla? Que dia esse homem vai parar de falar bobagem?

Edigar disse...

Luiz Aquino e Rodrigo Cássio, não os conheço pessoalmente mas estimo suas opiniões. Só quero lembrar que Lula é um antintelectual, não gosto de livros, não gosta de vocês, esnoba os professores.

Caetano foi mal nessa, não devia ter chamado o Lula daquelea forma.

Caetano é um grande intelectual e não é populista.

Fernando disse...

Acho que a questão do "analfabetismo" do Lula não é a questão mais importante da entrevista....
O mais importante pra mim é ele considerar que este país tem vocação pra ser grande, nem o Lula segura isto...
Não acho que ele foi preconceituoso, o que eu entendi é que diferentemente da Marina, que aproveitou as oportunidades que teve para se instruir e ter contato com a cultura, o Lula sempre desdenhou da cultura. Lembro de uma vez em que o Paulo Beti, que sempre foi garoto propaganda do PT, disse que não ia mais votar no Lula porque este nunca tinha ido ver uma peça sua (e nem de outros).
O Lula não é uma boa opção pra quem valoriza a cultura, no máximo ele ouve o Zezé de Camargo e Luciano... Nâo deve gostar do Caetano...
Nós que gostamos do Caetano temos outras opções melhores que o Lula e a Dilma.

Anônimo disse...

Enquanto o novo filme de herói americnao não vem.

Nesta semana o Presidente Obama destaca o heroísmo de alguns soldados no episódio do Fort Hood. Ele assim faz repercutindo informação de jornais e blogs, que será, a seguir, repercutido ainda mais... tirando "peso" da tragédia - e do terrorista - "valorizando" a bravura do herói americano. Não demorará, como estamos acostumados a ver, um filme estará sendo exibido... faturando milhões... trabalhando ideologicamente para aumentar a auto estima do povo (heróico) americano, vendendo-a ao "resto" do mundo.

O que se faz no Brasil, nesta mesma semana (os intelectuais, políticos, jornalistas...) é trabalhar para que não tenhamos heróis, reforçar a idéia de os brasileiros são "vira-latas"... Que aqui todos temos pés de barro, somos um povo feito de uma mistureba de raças "inferiores" e o melhor que sempre tivemos foi uma pequena e privilegiada elite "formada" no exterior, ou seja, um povo exótico e condenado, controlado por uma pequena elite "civilizada", que teve acesso ao "conhecimento"...(a ao cinema)... blá blá blá... é um "assunto requentado".

E é, eu acho, requentado tudo que envolve essa entrevista do Caetano, como o é o artigo do FHC. É campanha eleitoral. É jogada de mídia para desqualificar um pretenso "herói" [é claro que FHC não usa esse termo] desse povo "inferior" que, também, nunca sentou num banco de universidade e por isso todos estamos correndo riscos de uma ditadura populista... bla´blá bla´...

Parece-me que a "zelite" está querendo exigir que tenhamos um governo de elite, "se não não dá... assim não pode ser..."

Eu acho que Caetano está bajulando a Marina para justificar o seu voto no Serra. Ou não (hahahahahahahahahahahah)!

A "zelite" está, nesta semana, muito bem representada no "mundo" pelos alunos e diretores da UNIBAN. Enquanto o "povinho" está representado por um "carismático" Presidente latino-americano em Londres.

Pois é, enquanto um filmezinho não vem... requentamos o trivial.

Expedito da UEG disse...

Sem querer pegar no pé de ninguém, mas é muita covardia não assinar o nome. É ser muito covarde, como alguns politcos, esquivar o nome dentro de um debate. Anonimo, revele seu nome, saia de trás da máscara.

Cássio Tonsig disse...

Expedito... eu escrevi ai em cima sobre o Obama... os heróis... um novo filmezinho... e Tentei me identificar, só que não consegui entender esse sistema "Nome/URL". ficou como anõnimo contra a minha vontade. Acho que mais pessoas podem estar com a mesma duvida... sei lá.
Cássio tonsig.

Expedito da UEG disse...

Aí anonimo, Cássios, isso é bom. Um debate aberto e com identificação. Eu inclusive concordo com suas idéias perfeitamente. Acho Caetano Veloso equivocado. Por que não podemos ter nossos heróis. Estou de acordo e agora somos parceiros na discussão aqui no blog do professor Lisandro. Um blog que gosto porque podemos falar o que pensamos. Ele não tem aquela frescura de "filtrar" as pessoas.
Cassios, mais ainda, existe um temor de que Lula faz do Brasil um pais grande. Muito bom, Cassios.

Elaine disse...

Prezado Cassios, sua intervenção vem a calhar. Precisamos gostar dos nossos dirigentes, como o Lula, assim como os EUA gostam do Obama. Gostei pouco do FHC, mas respeito ele, o Itamar e até o famigerado Sarney.

Lula está dando exemplos bons. Acho q. Caetano e Lula são exemplos do Brasil. Deveriam se entenderem.

Cássio Tonsig disse...

Expedito, creio que bater sempre na tecla de que esta é um país com "um povo atrasado" é para justificar que não adianta fazer nada para melhorar. Por isso muitos governos locais são desastres e omissões. Esse "discurso", somado ao de que somos um "povinho", camufla a falta de política pública da maioria dos governantes (municipais, estaduais...) De repente, é como se só existisse o governo Lula, o governo central, e que, aliás, não pode "dar certo". Os demais governos não governam e se escondem atrás das críticas ao governo central. Lula mesmo diz que ainda fez pouco, é verdade. Mais é muito mais que qualquer outro grupo político já ousou querer fazer. Você acha que, no nosso caso, Marconi & Cia, Iris & Cia têm politicas públicas, querem algo para o "povinho"?
Exemplo:
"Nenhum produto cultural chega a 20% da população. Menos de 10% dos brasileiros já entraram em um museu, só 13% vão ao cinema, 17% compram livros e 92% dos municípios não têm nem cinema nem teatro", afirmou Juca Ferreira no programa de rádio "Bom Dia Ministro".
Cinema é só para a elite. Blog é só para a elite!
Uma pequena mostra de como somos pequenos ou apequenados por políticas centenárias de "governos" e que mostra o quanto ainda falta para que nossa democracia avance.

Quando Lula representa o trabalhador que também quer ir ao cinema, ele assusta muita gente que quer a sala escura só para uns poucos selecionados... morrem de medo da periferia inflar as filas do Bougainville... hahaha - e eu me incluo aqui entre as "zelite" pois gosto muito de cinema e estou mal acostumado com esse acesso "fácil".
Tinha mais para dizer, mas tenho de ir...
elite tambem tem de trabalhar rsrsrssr

Elaine disse...

Acho que Fernando Pereira diz tudo. Vou transcrever: "O Lula não é uma boa opção pra quem valoriza a cultura, no máximo ele ouve o Zezé de Camargo e Luciano... Nâo deve gostar do Caetano...
Nós que gostamos do Caetano temos outras opções melhores que o Lula e a Dilma".

Fico pensando como o país está pobre de idéias: tanto a esquerda como a direita e o centro. Pobre país! Vai ficando rico e burro.

lisandro nogueira disse...

Caros amigos,
O debate está muito bom. E cada vez mais agregamos bons debatedores e amigos.
O Lula já é um Mito. É bom para o Brasil um Mito na presidência? Só o tempo vai dizer.

Caetano é sempre brilhante, criativo, ousado. Às vezes exagera e não concordo q. Lula seja "analfabeto". Mas é um dos poucos artistas q. tem coragem para falar o que pensa.

Caetano Veloso tem uma obra sólida e gosta de intervir e fazer suas interpretações.

Vamos continuar esse ótimo debate,
Lisandro Nogueira.

João Angelo Fantini disse...

Puxa, ia postar um comentario outro mas cheguei no meio da confusào...
Bem, acho que a eleição proxima pode separar alguns amigos.
Muita paz no coração de todos!
por que forjar desprezo pelos vivos/ E fomentar desejos reativos?

Diego Albernaz da UNIP. disse...

Boa tarde!! prof. Lisandro, Afonso Vieira me tinha falado do seu blog. Os posts são bons e os debates também.

Entendo que Caetano Veloso é livre e Lula vive seu melhor momento. Acho que o Brasil merece Lula e Caetano.
O Chico Buarque, o Paulinho da Viola e outros bons poderiam falar alguma coisa. Nisso o Caetano é melhor porque é mais preocupado em pensar o Brasil.

Pedro disse...

Pessoal,
o debate foi longe. Um amigo me disse que Caetano deu show em SP no final de semana e elogiou o Neguinho do Samba (que criou o samba regaee) e Levis Strauss. Nenhuma menção ao Lula, o "analfa-esperto". Os malucos do Fait não More e Garcia Bernal estavam na platéia. O show, lotadão, terminou com uma música do Olodum. Sorry, periferia.

Anônimo disse...

O que o Caetano Veloso fez foi descarregar carga de preconceito contra o Lula, como a elite burra do Brasil costuma fazer.
Não se pode chamar alguém de analfabeto só porque não tem um diploma de curso superior, até porque o próprio Caetano nunca fez faculdade. Sendo assim, ele também é um analfabeto?

Felix disse...

Dona Canô chamou... eu vou!

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/14/dona-cano-enquadra-caetano/

paulo disse...

olá pessoal,li todos os comentarios postados e ao final so posso dizer que é uma pena tantas palavras gastas em função de uma entrevista.Mas enfim, vivemos em uma democracia nao é mesmo?portanto como diria Frei beto, estamosno país do falatório.Saudações a todos.alegria sempre
Paulo fernandes

Alfredo disse...

Pô! Frei Beto...aí a coisa ficou ruim de vez...A entrevista é muito boa.

Joaquim disse...

Sou fã do Caetano acho um tremendo ser
Até hoje só votei no LULA para Presidente e votarei nele e em quem seguir suas pegadas até que apareça alguém que me convença concretamente o contrario.
As declarações do Caetano não me fizeram um anti Caetano e nem me inclinaram a pensar diferente sobre o Lula, mas, quando falarmos em conhecimento temos que ter em mente que: ninguém sabe tudo sobre tudo existe Sabres e Conhecimentos limitados e que todos se complementam.
FHC tem seus Conhecimentos e os investiu no desmantelamento do Pais
Lula tem seus conhecimentos e através deles Reconstruiu o Pais
Alguém tem duvidas?
Vide PETEOBRAS, Banco do Brasil e outros,
Vide Políticas Publicas tem ou não diferenças?
Dois Fazendeiros descansando a sombra de uma Arvore debatiam sobre um tema aparentemente superado, um deles dizia: Eu acho que o Sol gira entorno da Terra o outro, no entanto retrucava dizendo: não. E a Terra que gira em torno do Sol.
Essa historia rendeu uma aposta, mas, quem seria o Juiz? Eis que uma Luz surgia, um caboclo da região aproximou-se em busca de sombra e foi logo indagado.
Hei cidadão estamos aqui numa teima feroz, ele acha que o Sol gira entorno da Terra e eu que é a Terra que gira em torno do Sol, a sua opinião desempata o jogo.
O cabloco tirando a chepa de cigarro de palha de traz da orelha e ascendendo respondeu com uma pergunta.
Se o ces me arresponde umas coisa que acontece lá em casa eu arrespondo o ceis.
Então pergunte responderam os Fazendeiros.
Como que pode a vaca e o cabrito que comem do mesmo pasto um cagarr um montão de merda mole e o outro umas bolinhas.
Os dois Fazendeiros se entre olharam e disseram, não, nem um de nós sabe responder tal pergunta.
Então o Caboclo disse: Se oceis não entende de merda porque acha que vão entender de outra coisa.
Joaquim Pr
53 anos
Primário incompleto
Retomando os Estudos Graças a um Presidente que "nega" a Cultura e o Conhecimento.
Não tive assesso quando os detentores e simpáticos do Conhecimento e da cultura Governaram este Pais.
Não basta ser gelou tem
Com respeito à tod@s os debatedores.

Anônimo disse...

O que Caetano fala traz os discursos do estrangeiro para a análise do que acontece aqui. No entanto, não foi por acaso que lutamos e ainda o fazemos para compreendermos o Brasil a partir de nossas próprias contradições e complexidades. Digo isso porque a autoridade da fala de Caetano é a autoridade do jornal americano e da revista "The Economist". Ele se apresenta como um leitor de periódicos estrageiros e proficiente em outras línguas (o que também lhe confere autoridade), mas ao mesmo tempo, como leitor que precisa recorrer ao pensamento dos centros que detém o monopólio do poder mundial para falar de seu próprio país. É muito fácil a Europa e os Estados Unidos determinarem uma série de práticas para o planeta, acabarem com uma série de coisas em vários lugares do mundo (inclusive no Brasil) e depois falarem o que é certo ou o que é errado para essas nações que eles ajudaram a empobrecer, ou dizerem que não sabemos fazer isso ou aquilo, ou ainda quererem afrontar a autonomia dessas nações, seja lá de que forma for.

Anônimo disse...

DETESTO CAETANO ,AS MUSICAS SÃO UM LIXO ... MAS DEVO ADMITIR QUE ELE SABE O QUE FALA POIS CONCORDO COMO ELE,EM ALGUNS PONTOS PRINCIPALMENTE SOBRE O ANALFABETO DO LULA,É SÓ VCS ASSISTIREM ALGUMAS ENTREVISTAS DELE E VÃO VER O QUE CAETANO ESTÁ FALANDO...E PRA QUEM NÃO SABE O VERDADIRO HEROI DA ANULAÇÃO QUASE QUE TOTAL DA INFLAÇÃO É O SR ITAMAR FRANCO QUE DEPOIS DAS MERDAS QUE O FERNENDO COLOR FEZ INPLANTOU O REAL EM 94 AI SIM FOI UM PASSO A FRENT.. E SE VCS NÃO SE ENTRAREM MAIS NAS VIDAS POLITICAS ATRAVES DOS MEIOS DE COMUNICAÇÕES PRESENTES NUNCA VÃO ANALIZAR QUEM SÃO OS CANDIDATOS DO PT E CIA... FICAM AI ATRAS DE MERDA DE IVETE SANGALO ,TV FAMA... KLB , TENHO QUE RIR POIS VC SÃO MEDIOCRES RSRSRS ELESA ESTÃO CAGANDO PRA VCS ... E EU TBM ... PRA ELES E VCS KKKKKKK BANDO DE IDIOTA QUE ACREDITA QUE A ESPERANÇA É A ULTIMA QUE MORRE , ELA JÁ TA MORTA NÃO FAÇAM NADA PRA MUDAR QUE VCS VÃO VER ONDE VÃO CHEGAR ....KKKKKKKK

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