quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A mulher é o novo homem? (sem viagra ou cartão de crédito).

O mundo está mais feminino ou é a mulher que está mais masculina?



Oscar Cesarotto*

Anos há, um poeta disse que a mulher era o futuro do homem. Demorou. O futuro já chegou, com os homens sendo agora o passado das mulheres. Tudo o que eles faziam, elas também são capazes, igual ou até melhor. O parque humano, composto de dois grandes grupos, sempre dividiu os afazeres da vida cotidiana. Uns labutavam, outras pariam; dominava-se o mundo com o suor da testa, enquanto a dor alumbrava a existência, dentro de casa.

Num novo milênio, as conquistas femininas extrapolam o âmbito doméstico, abrangendo o planeta; ao mesmo tempo, o corpo de cada uma é reconquistado em causa própria. A medicina muito tem contribuído para harmonizar períodos & vontades, possibilitando ou impedindo a perpetuação da espécie, liberando das regras & suas exceções. A histeria (do grego hysteros, útero), como Freud demonstrara, é uma estrutura psíquica, para além do órgão, tanto que existe em versão masculina. Historicamente, porém, no comunismo soviético, quando todos desempenhavam as mesmas tarefas produtivas, as camaradas foram dispensadas de dirigir tratores, para que a vibração não afetasse as funções reprodutivas. Respeito à diferença, não discriminação.

Hay que enternecer

 
Hoje, nos Estados Unidos, são mais as trabalhadoras do que os operários. Não que eles sejam zangões, é que perderam o que elas ganharam. O desemprego joga os homens na rua, ou para dentro de casa, para serem os reis derrocados do lar. Na crise atual do capitalismo apátrida, consolida-se o matriarcado perante o declínio da figura do pai, humilhado pela inadimplência. Casamentos acabam quando a carteira assinada vale mais que o papel passado. As novas configurações familiares dependem de quem traz o leitinho para as crianças.

Em outras terras, a paternidade é reconhecida pelo Estado com meses de licença-prêmio para crescer junto com o recém-nascido. Assim caminha a humanidade. A oportunidade de ficar no ninho propicia que o macho vire coruja, para felicidade geral da prole & noites de choro mais bem distribuídas. Com essa previdência social, todos se beneficiam, podendo enternecer, mas sem perder a virilidade. As próximas gerações agradecem.

A grande questão, entretanto, é quem veste as calças; antes, o que tem por baixo. Para a fecundação, a tecnologia dispensa a penetração, outrora patrimônio & orgulho dos que não apenas produzem a semente, como também realizavam o delivery in loco. Tomara que não se percam certos costumes ancestrais, como fazer neném à moda antiga, ou brincar de kama sutra, ou pecar sem conceber, o céu não tem limite. O risco, mais do que a mulher ser o novo homem, é que o novo homem, o proletariado do consumo, não possa dar conta do recado sem Viagra ou cartão de crédito.

*Oscar Cesarotto é psicanalista, doutor em comunicação e semiótica e autor dos livros Um Affair FreudianoJacques Lacan – Uma Biografia IntelectualSedições, entre outros - texto enviado por João Fantini.

4 Comentários

Elaine Camargo disse...

Já tinha visto esse psicanalista na TV Cultura. Nem sei se concordo com ele. Homens e mulheres estão muito distantes. Isso eu acho que é pura verdade.

ps- lisandro, faz tempo que não apareço. estou no litoral e frequento, aqui, uma lan-lache-house. beijos, Elaine.

Renato Veríssimo disse...

concordo com a Elaine. Homem é homem e mulher é mulher.

Helio Seixas disse...

Texto exato desse psicanalista. Os comportamentos estão mudando rapidamente.

Anônimo disse...

Estaria aí uma razão de a família ter mudado tanto, nas últimas décadas?

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