sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amar demais um filme faz mal?


Caros amigos,

Li o artigo publicado abaixo e lembrei das nossas conversas sobre "Harry Potter": amar demais um filme também faz mal?

O amor pode fazer mal?
Luciene Godoy*

Pergunta desnecessária. Todo mundo vai dizer não, claro que amor não faz mal. Quanto mais, melhor.

Tenho até um amigo que diz: "canja de galinha e amor não fazem mal a ninguém".

É difícil contestar.

Mas, vá lá, eu contesto.

O maior mal que podemos fazer a alguém é amá-lo sem limites. É dar sem que ele conquiste. É não exigir, não pedir provas, não desaprovar para que o outro se supere. Ele se dará por satisfeito com o nada que faz e mesmo assim te conquista.

Quer mal maior do que este?

É, mas ainda tem mais.

Ele não tem razões para crescer, mudar, melhorar porque já é amado do jeito que é. Não tem necessidade de vir a ser. Ficará um ser humano pobre e medíocre. E, infelizmente, muito, muito frequentemente mesmo, será um fracassado.

Bem, mas afinal de contas quem é essa pessoa, esse santo/a que ama tanto assim, a ponto de não ver ou levar em conta as faltas do outro? Quem é esse cego?

É, com certeza, um apaixonado. Pode ser namorado, noiva, amigo, marido, mulher, pai, mãe. Pouco importa, será sempre um apaixonado - leia-se: alguém que projeta sua própria imagem no outro e por isso "ama-o" loucamente (como um louco mesmo!).

Isso acontece muito entre um pai ou uma mãe com o seu filho "preferido". Que não existe, porque, todo mundo sabe, o pai e a mãe amam a todos os filhos igualmente.

Coitados dos filhos "prediletos"! Não passam de meros reflexos narcísicos dos pais. Coitados porque têm o seu ser saqueado, roubado pelo olhar de um outro que insiste em ver perfeição aonde não existe e não permite a construção de nada que contrarie a sua projeção.

Reflexo narcísico, explicando melhor, não é somente uma semelhança física ou emocional. É qualquer coisa que ao fazer o filho, a imagem de seu investidor - pai e/ou mãe - ficaria intoleravelmente afetada.

Por exemplo, aquele pai cujo filho de vinte e poucos anos bate o carro pela enésima vez e o pai, como se outra escolha não tivesse, compra-lhe um outro.

Ou a mãe que, todos sabem, se preocupa, cuida, protege o seu "queridinho" sem que se possa disfarçar. Aliás, o "inho" de queridinho vem bem a calhar porque, muito frequentemente, o diminutivo é muito usado nessas circunstancias. São os Julinhos, os Marquinhos, as Aninhas e infinitos outros "inhos" que estão impedidos de crescer e virar homens e mulheres.

É ... parece que tem muita coisa que chamamos de amor, mas que simplesmente não é! Pode ser projeção, por exemplo, e nesse caso faz muito mal.

Quer pior ou vai se contentar com essas razões?

* Publicado em O Popular no dia 20 de julho. Luciene Godoy é psicanalista.

1 Comentário

r.m.s disse...

É isso ai gente, agora estou na área. Jo soy Rodrigo, tenho Magalhães no nome e um Santos anônimo, mas a irmã do Lisandro não me colocou um Nogueira. Entretanto considero-me RMNdosS.

Amar o outro(a), é admirar suas caracteristicas, cortejar sua beleza, espelhar-se no seu sucesso, querer não apenas estar ao lado dele mas ser uma parte dele, etc.

É por isso que amar demais, faz mal.

Antes, as pessoas que geralmente estão à frente, amam primeiro a si mesmo, até demais, mas amam primeiramente a si mesmo.

Amar demais um filme faz mal. Meus prediletos: O quarto do filho (Moreti), e as séries de James Bond. Sempre que vou assistir a um filme, pergunto ao pessoal da Cara Video, "me passa um filme parecido com o quarto do filho", ou "um tão engraçado quanto Woody Allen", até "um que seja IGUAL ao...". Isso é o mesmo que: a Mariana é igual a Robertina. Não.

Já me apaixonei duas vezes por duas Marianas, coincidentemente, as duas aniversariam no dia 18 e tem um mesmo sobrenome. Desde essas desilusões (hoje não mais), sempre procurei nas outras, as que nada resultaram e as que desfrutei, caracteristicas semelhantes às das Marianas.

Já me perdi neste fluxo interrupto de idéias.

Amar demais um filme, faz mal, "inda" mais tê-lo como referência de bom filme.

Rodrigo M (N) dos S

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