domingo, 27 de dezembro de 2009

"Avatar": promete e cumpre (em cartaz)



De volta para o futuro

 Fabrício C. Santos*


Sempre acho interessante quando filmes que dividem diferenças e/ou similaridades tem estréias separadas por curto espaço de tempo. No Brasil, duas semanas distanciaram os lançamentos de Atividade Paranormal e Avatar, títulos que apontam seus cinemas para extremos tão opostos em suas habilidades de criar ilusão: de um lado, um filme baratíssimo, de imagens em vídeo rústicas, mal definidas, enquanto do outro, um longa robusto, de orçamento exorbitante, imagens do mais moderno 3-D lapidadas pela busca de beleza colorida e efeitos mais realistas até então. Ambos tem lucrado aos montes em relação aos seus respectivos custos.

Avatar promete e cumpre o Cinema espetáculo ao qual James Cameron está habituado. Cameron, o homem que rompeu barreiras orçamentárias de US$100 milhões (Terminator 2) e US$200 milhões de dólares (Titanic), pode também ter rompido a de US$300 milhões com esse produtão titânico que parece ter algo de revolucionário em tecnologia, principalmente nesse retorno crescente do 3-D. Avatar defende toda a megalomania de seu cineasta e oferece o 3-D mais envolvente, mas avança, sobretudo, nas expressões de personagens digitais, que realmente atuam via captação de movimentos. Distinção entre digital e real termina é aqui, pessoas.

Há quem compare tal experiência às chegadas do som e das cores, os dois maiores avanços técnicos que mudaram a maneira de ver e filmar o cinema. Essa pretensão é evidente, e a possibilidade parece seguir rumo à probabilidade. Enquanto isso, difícil não pensar em Robert Zemeckis, logo o nome por trás de De Volta Para o Futuro e seus chutes científicos, que há três filmes vem brincando de fazer aberturas de Playstation 1, jurando que está no domínio da cinematografia virtual e do 3-D. Perto de Cameron, impressão é de que Zemeckis está brincando de Lego.

Cameron tem em mãos o máximo do máximo da tecnologia atual investido em uma raiz de narrativa: colonizados x colonizadores. Jake (Sam Worthington), um colonizador americano, é ordenado a investigar os nativos Na’Vi do planeta super tropical Pandora (pior que a Venezuela, adianta um coronel sisudo). Como o ar desse novo mundo é venenoso para humanos, essa missão se dá através do Avatar: uma forma Na’Vi - grandes, esguios, azuis e de traços felinos - que pode ser controlada e vivida por um humano. Jake vive entre eles até que, enfim, se vê encantado por aquele novo mundo e passa a defendê-lo. Razão principal é o envolvimento com uma nativa: aí, no meio do filme, durante treinamento na vida tropicalia, rolam olhadinhas, brincadeiras, empurrõezinhos entre seus lagartos alados, e dá uma pegadinha no rabo dela... A gente já sabe: na guerra é allez le bleus!

A história batida não é ruim por si só, mesmo porque, para um filme tão poderoso em estética e tecnologia, a simplicidade pode ser ouro (um Avatar roteirizado por Charlie Kaufman é excesso de informação já na idéia). Por outro lado, dá margem para alguns cameronismos irritantes, como o maniqueísmo fácil e meio besta (encarnado de vez por um Coronel), o sexo que parece ter entrado com indecisão (pior cena), clichês de rivalidade entre o novato e o experiente, e... bom, seja aqui ou em Pandora, a treta entre dois machos será sempre pelo mesmo motivo. Enfim: nativo alto, azul e sensual, talvez não seja a solução dos seus problemas. Simples e simplório.

O público não deve demorar a identificar uma saladona de associações: o tão ou mais mágico Jurassic Park (incluindo sons; existem pelo menos três sons do filme de Spielberg, incluindo o do T-Rex), o igualmente avatarento Matrix, o enredo de Dança com Lobos (South Park chamou o filme de “Dance with Smurfs”), o videogame Second Life etc.

Devemos lembrar que a saga Matrix, em especial suas sequências, apresentava pretensões semelhantes em imagem e tecnologia, resultando em excelência de mobilidade de câmera e um boneco muito divertido de Keanu Reeves, mas ainda um boneco. Por outro lado, entre esses dois exemplos de cine-pop, a cria de ouro dos Wachowski oferecia discussão filosófica mais aprofundada, ainda que prolixa, sobre simulacro e simulações. Por mais que Avatar fale por si, Cameron se mantém narrativamente raso nesse sentido, numa pincelada apressada sobre a preferência de viver em realidade ou simulação, e assunto tão rico fica restrito a duas falas e uma cena.

Ainda sobre associações, o planeta Pandora tem em seu tropicalismo neônico algo de capas de discos do Santana, e uma árvore sagrada parece tirada do show do Radiohead. É tudo lindo, lindão, lindonérrimo nas lentes abertas e escancaradas, mas algo parece dizer que em 20 anos ou menos vamos olhar pra trás e achar tudo uma breguice exagerada. Até lá, essa papagaiada carnavalesca e despirocada de ácido e algum misticismo diverte, de verdade.

Há interessante contraste no fato de Cameron ter um produto titânico de 300 milhões em mãos e o cume do avanço tecnológico para um filme de defesa de colonizados, nativos de gigantescas flora e fauna da selva onipresente (Pandora e suas criaturas são duplos da Terra, lógico). Os Na'Vi tem toda uma naturalidade, espiritualidade, energia com a terra, o planeta, natureza, mas são o ápice dos efeitos especiais do Cinema, frutos dos mais poderosos computadores. Árvores do planeta formam uma espécie de imensa network, e os Na'Vi são um povo maculelê hipponga natureba, mas com cabelos-USB.

É nesse Cinema proposto por Avatar que o 3-D faz mais sentido. Não é meramente estilístico e estético, ou por entretenimento (coisinhas jogadas na cara do público), mas porque, nas intenções tanto óbvias quanto perfeitas da direção de Cameron, o espectador passa a ser tão avatar quanto Jake. Ainda existem limitações, mas aqueles óculos incômodos nunca foram tão teletransportadores, seja pela extrema competência técnica, seja porque Cameron já enxerga o 3-D com olhar mais amadurecido. Na cena em que Jake, que é paraplégico, se conecta ao avatar pela primeira vez e percebe que pode andar, Cameron explora diferenças de estatura na tridimensão. É uma cena filmada com leveza e alegria juvenil, às vezes infantil, sensação que percorre todo o filme, para o melhor e para o pior.

Tem-se, portanto, o chamado Cinema de imersão, uma coisa gigante munida do melhor aparato tecnológico, capaz de criar certo medo. Bem possível que a criança e o saudosista dentro de alguns venham a brigar sanguinariamente a cada cena. Talvez mais do que qualquer outra coisa, Avatar tem esse tipo de poder.

Num ano em que o Cinema foi homenageado por gente como Tarantino e Almodóvar, entre outros, nenhum melhor para encerrar. Perfeito exemplar de cinema-evento, Avatar é inteiramente construído para ser visto numa sala de cinema 3-D. IMAX, de preferência. De alguma forma, Cameron parece chamar de idiotas os pirateiros e downloaders de uma época em que filmes caem na rede antes de chegarem às salas de projeção. Honra o Cinema ao seu modo, com uma obra que só parece surtir efeito se vista numa boa sala de cinema, experiência única. Fora desse ambiente, distante de seu incomparável habitat natural, talvez se revele medíocre.

Pode não ser um dos dez ou vinte melhores filmes do ano, mas é uma das dez maiores experiências da década. 



* Fabricio C. Santos é crítico, mestrando na UFG e membro do grupo "Cine-UFG, debates".

13 Comentários

Maria Euci disse...

Com meus mais de 60 anos devo dizer que o filme "Avatar" é envolvente e estimula a pensar as questões ambientais. Fiquei comovida ao ver o famoso 3D. Chorei no final e pretendo revê-lo.

Zé Abrão disse...

Parabéns cara, concordo com tudo o que você disse, falou direitinho o que Avatar é. Eu admito que fiquei decepcionado com o enredo raso, num filme em que tudo encaixava tão bem, achei que seria melhor, mas depois refleti que não seria necessariamente ao que ele se propunha e que principalmente para as crianças esse filme vai ser um marco. Pra toda garotada de uns 8 a 13 anos que ver esse filme, vai ser a mesma coisa que Star Wars foi pra garotada de 77. O filme todo é uma grande fábula e levanta de leve a bola na questão imperialista, ambiental, sobre Gaia, sobre Pocahontas. Enfim, isso só confirma mais uma vez que é um ótimo filme pras crianças, seu papel de fábula tem até moral no fim.
Com certeza, esses smurfs bombados com cara de thundercat e cabelo USB cumprem de fato o seu papel.
Como você disse, não é o filme do ano, mas merece sim, destaque.

Fabrício C. Santos disse...

Por ter a pretensão de um salto, acho que podemos perdoar parte do enredo. D.W. Griffith estabeleceu a narrativa clássica em "O Nascimento de uma Nação", que tem enredo dos mais questionáveis; "O Cantor de Jazz", bobinho até, trouxe o Som; daí em diante...

É raso, mas é também cimentado por um classsicismo narrativo. O trailer expunha todos os "segredos" com facilidade. É a Pocahontas azul, sem dúvida, e a sempre recontada história do Novo Mundo (aliás, belo filme do Terrence Malick; melhor que esse, acho), umas das várias histórias recontadas.

E nem acho que seja tão leve assim na questão imperialista. Acho que é bem explícita, chegando a cair, como disse, em um maniqueísmo fácil.

Garotada vai surtar com isso aqui. "Star Wars" tinha uma ótima base de matinê pra sustentar aquela narrativa (deliciosa para esse tom). Em "Avatar" seria a fábula? Talvez. Eu já acho que é mérito quase exclusivo do poder das imagens, e isso, para quem sabe o que faz, é algo grande.

p.s.: notei que escrevi duas vezes "produto titânico". Ignorem, ok? Acho que na segunda eu queria escrever "produto inchado", mas repeti.

Fabrício C. Santos disse...

Ah sim: Thundercats foi uma sacada muito boa. Não sei como não pensei neles.

Lisandro Nogueira disse...

Fabricio,

Fico entusiasmado com seu entusiasmo. Seu texto me pede mais atenção ao filme. Porém, o enredo é bastante fraco (melodrama/romantismo do séc. 19) e reafirma a velha história do homem "culpado" e o ideal romântico em relação à natureza.
Nesse aspecto o filme deixa muito a desejar.

Mas gosto da reafirmação forte da "sala de cinema" com o 3D. Você enxerga bem esse componente que não pode ser desprezado. A sala de cinema, o "ver coletivo", se fortalece de certa maneira. Mas não podemos ser inocentes com essas imagens deslumbrantes.

O problema é o que fazem com a tecnologia das imagens: o espectador se torna refém desse fetiche grandioso. Há pouco espaço nesses filmes para o pensamento, para as idéias. Daí a busca de um enredo típico do século 19.

Lisandro

Sarah Ottoni disse...

Em uma época onde a pirataria reina e muitas pessoas deixam de ir ao cinema, filmes como Avatar exploram os recursos tecnológicos disponíveis para atrair novamente o público e fazer o espectador se apaixonar novamente por ele. Roteiro à parte, está aí a prova de que o cinema não morrerá nunca!

Daniela Dias Ortega disse...

Concordo, acredito que Avatar foi feito pra ser assistido em 3D.
Sem o 3D, analisamos mais o enredo e o sentido do filme, com cenas que remetem ao clichê, nada de surpreendente nesse aspecto.

Fabrício C. Santos disse...

Lisandro,

quanto ao enredo, mais concordo contigo do que discordo, embora ache que possa ser defendido aqui ou ali (como quando mencionei outros "filmes-salto"). Tanto é que não sei se vou ter paciência para rever.

Acho que "Avatar" é um primeiro grande passo, com todas as vantagens e desvantagens de ser perimeiro em alguma coisa. Como qualquer nova ferramenta ou recurso, existirão bons e maus usos. Cameron tem evidentes fraquezas de escrita, mas seu controle de imagens e da própria mania de grandeza é incrivelmente entusiasmante. Pegue qualquer filme do Cameron (com exceção de "Piranhas 2") e ele não apenas se justifica numa grande tela de cinema, mas justifica o cinema. Michael Bay, para citar outro megalomaníaco de grandes produções e efeitos, não possui uma nesga que seja dessa seriedade técnica e, porque não, artística à qual o Cameron se dedica tanto - essa dedicação é absolutamente notável em cada quadro de seu filme.

E eu sou uma pessoa com certa resistência ao 3-D (por isso mencionei "medo" em dado momento). Mesmo que divirta, a cada novo filme, incluindo "Avatar" (ok, além de diversão, mas mesmo assim), me considero um espectador do 2-D. Em breve, CGI será coisa de saudosistas. Será? Bom, por mais que tenha sido experiência incrível e única, filmes como "Jurassic Park" (eu era bem garoto) e o novo "King Kong" (já um jovem adulto) me encantam mais - para mencionar dois mais ou menos na mesma linha.

Mas "Avatar" me pegou pelo conjunto, não apenas pelo 3-D (fascinado com as expressões dos Na'Vi). Acho que não podemos ser inocentes quanto a certos - e supostos - deslumbramentos, como o já citado Michael Bay, ou Roland Emmerich e suas catástrofes catastróficas. Esses diretores tem cinemas bombados de esteróides; o delumbramento de Cameron é construído com musculação honesta.

"Avatar" também me faz pensar o seguinte: Goiânia precisa de um cinema IMAX.

Para finalizar: que filmes continuem a justificar a ida ao cinema. 2009 passou dos 10 bilhões em bilheteria. Recorde. Isso é muito, muito bom.

Anônimo disse...

Roteiro para criança ou pra plateia retardada.

Anônimo disse...

Avatar: O Pocahontas do Futuro...

Saí do filme pensando se queria assisti-lo novamente... Achando que se tratava de uma obra de arte, retornei. Ufa! Que filme longo e cansativo... Ainda que muito bem produzido, a história em si deveria ser mais bem elaborada. Considerando que se vai fazer um filme de milhões e milhões de dólares, por que não criar uma história melhor? A expectativa do filme foi tão grande que até achei que seria uma coisa fabulosa, mas acabei não gostando muito. A história em si é muito fraca.

O filme tenta mostrar uma espécie de Pocahontas no futuro. Os humanos são os colonizadores e o povo do planeta é a tribo indígena; realmente o
novo mundo. Mas o que James Cameron quer mostrar com esta história de Pocahontas futurística? Ele quer demonstrar um ponto: como os colonizadores
foram cruéis com os indígenas, e, no filme, com os alienígenas. O problema do filme é o seguinte: uma história de amor fraca que todo mundo sabe como vai acabar. E foi justamente essa história de amor que desagradou e tornou o
filme ruim.

Avatar até me fez lembrar de um outro filme, Titanic, por causa da história de amor. Titanic, também dirigido por James Cameron, foi um
espetáculo. O filme, ganhador de 11 Oscars, incluindo o de melhor filme e de melhor diretor, também teve uma história de amor fraca. A diferença é que o filme Titanic não fica focado somente na história de amor, mas nos
acontecimentos do navio e em tudo o que se passa ali. Parece que o público está no navio e sente os horrores do naufrágio, algumas pessoas até choram, por ser uma história muito triste. No entanto, ao assistir Avatar, não tive
aquela sensação de que estava ali presente na história e no filme.

O elenco do Avatar é muito fraco. Os atores do filme são de terceira categoria. Uma coisa que sempre noto é que os filmes de ficção científica e futurística não costumam ter elenco bom.
Para concluir, o que mais admirei no filme Avatar foi a tecnologia utilizada
e como hoje somos capazes de fazer filmes tão bem feitos. Acho que é o tipo
de filme para ser visto apenas uma vez: como a história é muito linear, uma vez é suficiente!

Pedro Sviercoski Ferreira

Expedito Gomes (dos Correios) disse...

O filme "Avatar" me provocou indignação por ser tão ruim e elementar. Caro professor Lisandro, me desculpe, mas alguns alunos seus precisam embasar mais os textos. Alguns se empolgam demais com esses filmes de finíssima pobreza - como se dizia antigamente.

O pedro Ferreira tem razão. Avatar é de matar

Fabrício C. Santos disse...

"Uma coisa que sempre noto é que os filmes de ficção científica e futurística não costumam ter elenco bom."

Sei não...:
- "A.I. - Inteligência Artificial": Haley Joel Osment, Jude Law, William Hurt, Brendan Gleeson.

- "Alien, o 8º Passageiro": Sigourney Weaver, Harry Dean Stanton, Ian Holm, John Hurt.

- "eXistenZ": Jude Law, Jennifer Jason Leigh, Ian Holm, Willem Dafoe, Sarah Polley.

- "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" - Kate Winslet, Tom Wilkinson, Mark Ruffalo, Elijah Wood... (Jim Carrey é opcional, já que muitos não gostam)

- "Brazil" - Jonathan Pryce, Robert De Niro, Ian Holm, Jim Broadbent...

- "A Fonte da Vida" - Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn...

- "Filhos do Silêncio" - Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Chiwetel Ejiofor

- "Moon" (de Duncan Jones) - é praticamente só o Sam Rockwell de elenco.

- "O Homem Duplo" - Robert Downey Jr., Winona Ryder, Woody Harrelson

- "Os 12 Macacos" - Brad Pitt, Bruce Willis em boa fase, David Morse, Christopher Plummer...

- "Minority Report" - Tom Cruise, Colin Farrell, Max von Sydow, Samantha Morton, Peter Stormare...

- "Superman" - Christopher Reeve, Gene Hackman, Marlon Brando, Terence Stamp...

- "Cidade das Sombras" - Jennifer Connelly, Kiefer Sutherland, William Hurt...

- "Strange Days" (é da Kathryn Bigelow, esqueci o título nacional) - Ralph Fiennes, Juliette Lewis, Vincent D'Onofrio, Angela Bassett...

- "Zardoz" - encabeçado por Sean Connery e Charlotte Rampling

- "Contato" - Jodie Foster, John Hurt, David Morse, Angela Bassett, James Woods...

- "Marte Ataca!" - Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Rod Steiger, Natalie Portman...

...

Fabrício C. Santos disse...

Essa inspiração em Pocahontas tem gerado umas boas piadas, por sinal:

http://www.huffingtonpost.com/2010/01/04/avatar-pocahontas-in-spac_n_410538.html

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